FORMAÇÃO E TRABALHO DOCENTE NO ENSINO DE CIÊNCIAS

O PAPEL DA COMUNIDADE DE PRÁTICA NO CONTEXTO PRISIONAL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2025.59865

Palavras-chave:

Ensino de Ciências, Comunidade de Prática, Contexto prisional

Resumo

O trabalho docente em escolas na prisão, voltado para o ensino de Ciências, representa um desafio constante, principalmente devido à especificidade do ambiente prisional. É evidente a necessidade de processos formativos voltados ao aprimoramento da prática docente para atuação nesse contexto. Este estudo tem como objetivo apresentar reflexões oriundas da análise do planejamento e realização de um curso de formação para professores de Ciências que atuam em uma escola na prisão, considerando o papel da comunidade de prática. Os encontros foram vídeogravados, transcritos e analisados pela Análise Textual Discursiva (ATD), da qual obtivemos uma categoria emergente, intitulada: A Comunidade de Prática (CoP) como espaço de formação docente e transformação no contexto prisional. Os resultados indicam que as comunidades de prática funcionam como espaços de diálogo e troca de experiências, promovendo apoio mútuo e inovação pedagógica. Constatou-se que a formação permanente, planejada com o envolvimento da CoP, amplia a capacidade dos docentes no enfrentamento dos desafios do contexto prisional. Além disso, compreendemos que a Comunidade de Prática se apresenta como uma possibilidade de formação permanente para docentes do contexto da escola na prisão, permitindo que os professores se integrem às necessidades do contexto escolar e engajem outros sujeitos da comunidade escolar. Conclui-se que a integração entre formação docente e comunidades de prática é importante para o desenvolvimento de práticas educativas transformadoras no ensino de Ciências em contextos prisionais.

Biografia do Autor

  • Adriana Oliveira Lima, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)

    Mestra em Educação em Ciências e Matemática pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Licenciada em Ciências com habilitação em Biologia (UESC) e bacharela em Direito – Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC). Professora da Rede Pública Estadual da Bahia, com atuação no Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA) em contextos de privação de liberdade. Integrante do Grupo de Pesquisa em Currículo e Formação de Professores em Ensino de Ciências (GPeCFEC/UESC). 

  • Júlia Martins Figueiredo, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

    Professora Substituta do Centro de Ciências e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade - CETENS da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências da Universidade Federal da Bahia. Mestre em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Estadual de Santa Cruz com Mobilidade Acadêmica na Universidad Nacional Pedagógica - mestrado de Docência da Química. Graduada em Licenciatura em Química, na Universidade Federal Rural de Pernambuco. Integrante dos grupos de pesquisa Diversidade e Criticidade nas Ciências Naturais (DICCINA) e Grupo de Pesquisa em Currículo e Formação de Professores em Ensino de Ciências (GPeCFEC)

  • Elisa Prestes Massena, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC)

    Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010), licenciada e graduada em Química pela UFRJ (2004). Pós-doutora em Educação (2012/2013) no PPG em Educação/Unisinos. Docente Plena do Departamento de Ciências Exatas (DCEX) na área de Ensino de Química com atuação no curso de Licenciatura em Química e no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática  (PPGECM)  da  Universidade Estadual  de  Santa  Cruz  (UESC). Desenvolve estudos nos seguintes temas: formação de professores inicial e permanente, currículo e docência universitária.  Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Currículo e Formação de Professores em Ensino de Ciências (GPeCFEC).

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Publicado

2025-12-20

Edição

Seção

DOSSIÊ

Como Citar

FORMAÇÃO E TRABALHO DOCENTE NO ENSINO DE CIÊNCIAS: O PAPEL DA COMUNIDADE DE PRÁTICA NO CONTEXTO PRISIONAL. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 34, 2025. DOI: 10.35699/2238-037X.2025.59865. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/59865. Acesso em: 15 jan. 2026.