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  • CHAMADA ALETRIA - v. 37, n. 3 (jul. - set. 2027) Dossiê: Circulações literárias entre Portugal e Brasil

    2026-08-26

    CHAMADA ALETRIA - v. 37, n. 3 (jul. - set. 2027)

    Organizadores:

    Marcia Jaschke (UFMG)
    Mirhiane Mendes de Abreu (UNIFESP)
    Raquel S. Madanêlo Souza (UFMG)
    Ricardo Vasconcelos (San Diego State University)

    Prazo para submissão: 4 de dezembro de 2026

     

    Circulações literárias entre Portugal e Brasil

    Camilo Castelo Branco figurou um grande número de brasileiros em seus romances. Machado de Assis fez críticas incisivas ao Primo Basílio, de Eça de Queirós. No século XX, Graça Aranha afirmou em sua conferência “O Espírito Moderno” (1925), que não éramos a “câmara mortuária de Portugal” e, naquele momento de intensa afirmação das nacionalidades, os ânimos se exaltaram. José Osório de Oliveira publicou em terras lusitanas a primeira História Breve da Literatura Brasileira (1939). Cecília Meireles selecionou nas revistas portuguesas os Poetas novos de Portugal (1944). O poeta Carlos Drummond de Andrade deu voz ao modernista português em seu “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”. Enquanto o famoso criador do heteronimismo enviou para o Brasil seu autor fictício Ricardo Reis. Sophia de Mello Breyner Andresen acentuou, em seu “Poema a Helena Lanari”, o gosto pela sonoridade do “português do Brasil”, que seria capaz de tornar o “coqueiro” “mais vegetal”. Inúmeros são os exemplos que poderiam ser aqui convocados para caracterizar os múltiplos matizes que permeiam as relações interculturais e literárias entre Brasil e Portugal nos dois últimos séculos.

    O objetivo desse dossiê é fomentar o debate e proporcionar reflexões atuais sobre as diferentes camadas das complexas relações entre as literaturas moderna e contemporânea de Portugal e do Brasil.

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  • CHAMADA PRORROGADA ALETRIA - v. 37, n. 2 (abr. - jun. 2027) Dossiê: Literatura e democracia

    2026-03-26

    CHAMADA ALETRIA - v. 37, n. 2 (abr. - jun. 2027)

    Organizadores:

    Aline Magalhães Pinto (UFMG)
    Henrique Estrada Rodrigues (PUC-RIO)
    Roberto Said (UFMG)

    Prazo para submissão: 03 de outubro de 2026

     

    Literatura e democracia

    As articulações entre a literatura moderna – tomada a partir de seu traço ficcional – e a democracia, que constitui o horizonte político e social de nosso tempo, perfazem certamente o horizonte do pensamento contemporâneo. Entendemos que a vida democrática, seus debates e conflitos, não são apenas materiais temáticos para o romance, mas que o próprio exercício da literatura é pensável em relação à ação política democrática. É o que J. Derrida enfatiza na célebre entrevista que concedeu a Derik Attridge em 1992, ao apontar para a forma como a literatura parece autorizada a “dizer tudo” (tout-dire), princípio que a conecta historicamente, por sua vez, à emergência de uma noção moderna de democracia. Não necessariamente uma forma fixa já instalada, mas uma democracia por-vir, como a experiência de uma “promessa empenhada”, nos dizeres do filósofo. Essa sensibilidade em relação ao literário encontra afinidade nas formulações, por exemplo, de Michel Foucault, Roland Barthes, Gilles Deleuze e, mais recentemente, em Jacques Rancière. Mas o problema aí estabelecido também desperta atenção de outras tradições do pensamento, assim como de outros campos de estudo, ainda que resultem em encaminhamentos e resultados distintos. Constrói-se sobretudo a partir de diferentes modos de interrogar a modernidade, na filosofia, na teoria da história, na crítica cultural, em teóricos e críticos tão diferentes entre si, como W; Benjamin, P. Ricoeur, E. Auerbach, J-L Nancy, H. Blumemberg, H. White, J. Habermas, R. Koselleck, entre outros. Habermas, por exemplo, aponta o papel fundador da esfera pública literária, que se desenvolve relativamente livre das autoridades da Igreja e do Estado, para a criação de uma esfera política moderna e um ethos de debate crítico.

    Na atualidade, o debate entre literatura e democracia ganha novos contornos e urgência, tendo em vista os efeitos provocados pela ação conjunta entre: a) a desinformação, entendida como forma de comunicação socialmente estruturada, que perturba parâmetros interpretativos utilizados como instrumentos de interpretação do mundo pelo sujeito comum; b) a fragmentação e o reordenamento do espaço público, impactado pelas redes comunicativas das mídias digitais que deslocam a lógica moderna da credibilidade para a do engajamento, e c) a crescente presença da IA em todas as esferas da vida social. Abrem-se, nesse cenário, demandas de investigação acerca das formas de consciência sobre a ficção, a fim de se avaliar seus modos de funcionamento, na literatura, no audiovisual e no conturbado espaço discursivo político em que a democracia, e sua tradição, é reivindicada por sujeitos e agências conflitantes. Estão em jogo as ambiguidades políticas, artísticas e epistêmicas que abrem novos inquéritos sobre a verdade histórica e a forma da ficção literária, perpassando os ângulos que lhes tangenciam: a escolha ética, a experiência estética e as representações da realidade.

    Se, de fato, o problema instaurado desafia os estudos contemporâneos, ao colocar em jogo a compreensão tanto da democracia quanto da literatura, tanto da ficção quanto da verdade, ele convoca em igual medida movimentos de releitura em diferentes configurações temporais e históricas, nos quais a discussão sobre ambos os conceitos se coloca, não sem controvérsias, seja na produção ficcional, em suas diferentes modalidades, seja na produção crítica e teórica de diversas áreas do conhecimento.  Nesse sentido, compreender melhor as relações entre a ficção literária e a democracia implica ir além do marco da modernidade para considerar concepções, por vezes divergentes, do papel da ficção literária em um regime democrático. Ao mesmo tempo, para repensar os sentidos possíveis de democracia, a retomada da discussão sobre o público leitor parece pertinente, pois somente a partir de uma comunidade de leitores poderia ser atribuído à literatura um papel de questionamento crítico das normas democráticas, em nome dos valores morais do indivíduo ou, ao contrário, das exigências políticas coletivas.

    Este número temático da revista Aletria convida a refletir, a partir de diferentes perspectivas teóricas, sobre as relações entre literatura e democracia, tendo em vista a historicidade inerente que aí se faz notar.  Para além do campo dos estudos literários, são bem-vindos textos provenientes de pesquisas interdisciplinares e/ou de outras áreas do conhecimento interessadas no debate.

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