Efeito do extrato de romã (Punica granatum) sobre bactérias cariogênicas: estudo in vitro e in vivo

  • João Antônio Argenta Curso de Ciências Biológicas, Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS), Lavras, MG, Brasil
  • Moacir Pasqual Departamento de Agricultura, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, MG, Brasil
  • Cássio Vicente Pereira Curso de Odontologia, Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS), Lavras, MG, Brasil
  • Disney Ribeiro Dias Departamento de Ciências dos Alimentos, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, MG, Brasil
  • Ricardo Augusto Barbosa Curso de Odontologia, Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS), Lavras, MG, Brasil
  • Luciano José Pereira Departamento de Fisiologia e Farmacologia, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, MG, Brasil

Resumo

Objetivo: O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito inibitório de extratos de plantas sobre cepas de Streptococcus mutans in vitro e avaliar in vivo o potencial inibitório de dentifrício incorporado com o extrato de maior potencial sobre estreptococos do grupo mutans e sobre o índice de biofilme. Materiais e Métodos: Em meio de cultura inoculado com S. mutans (ATCC25175), depositaram-se extratos etanólicos de 32 plantas. Posteriormente, avaliaram-se os halos de inibição. As capacidades inibitórias foram: Ocimum gratissimum (flor) com 08 mm; Moringa oleífera (folha) 10 mm; Copaífera langsdorffi (folha) 16 mm e Punica granatum (pericarpo desidratado) com 18 mm. Uma vez que este último extrato apresentou o maior halo de inibição, foi utilizado na fase seguinte. O extrato de romã (Punica granatum) foi incorporado em dentifrício, nas concentrações de 1% e 3% após determinação da concentração inibitória mínima. Estes foram testados em 30 voluntários divididos em 3 grupos (um para cada extrato e um grupo controle). Os voluntários fizeram uso dos dentifrícios durante 08 dias. A atividade antimicrobiana foi avaliada através da determinação do índice de biofilme e contagem de estreptococos do grupo mutans (UFC/ml). Resultados: Houve redução (p < 0,05) no índice de biofilme para o extrato a 3%, porém não houve diferença na contagem de microrganismos (p > 0,05). Conclusão: Conclui-se que a Punica granatum L. foi o extrato que apresentou maior atividade inibitória in vitro contra S. mutans. A formulação do dentifrício mostrou eficiência após oito dias de uso diminuindo significativamente o índice de biofilme, porém, não apresentou redução do número de estreptococos do grupo mutans.

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Biografia do Autor

Disney Ribeiro Dias, Departamento de Ciências dos Alimentos, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, MG, Brasil
Departamento de Ciências dos Alimentos, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, MG, Brasil
Ricardo Augusto Barbosa, Curso de Odontologia, Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS), Lavras, MG, Brasil
Curso de Odontologia, Centro Universitário de Lavras (UNILAVRAS), Lavras, MG, Brasil
Luciano José Pereira, Departamento de Fisiologia e Farmacologia, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, MG, Brasil
Departamento de Fisiologia e Farmacologia, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras, MG, Brasil

Referências

REFERÊNCIAS
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Publicado
2016-06-10
Como Citar
Argenta, J. A., Pasqual, M., Pereira, C. V., Dias, D. R., Barbosa, R. A., & Pereira, L. J. (2016). Efeito do extrato de romã (Punica granatum) sobre bactérias cariogênicas: estudo in vitro e in vivo. Arquivos Em Odontologia, 48(4). Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/arquivosemodontologia/article/view/3392
Seção
Artigos