Maus-tratos na infância e adolescência: conhecimento e atitude de profissionais de saúde

Autores

  • Andreza Cristina de Lima Targino Massoni Universidade Estadual da Paraíba-UEPB
  • Maria Aldenize Neves Freitas Almeida
  • Cássio Gadelha Martins
  • Ramon Targino Firmino Universidade Estadual da Paraíba-UEPB
  • Ana Flávia Granville- Garcia Universidade Estadual da Paraíba-UEPB

Resumo

Objetivo: Verificar o conhecimento e as atitudes dos profissionais de saúde cadastrados na equipe da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) do município de Patos, PB, sobre os casos suspeitos de maus-tratos na infância e na adolescência. Materiais e Métodos: Estudo  transversal, realizado com 200 profissionais que responderam a um questionário sobre o tema investigado. Foi realizada estatística descritiva e inferencial, utilizando-se o Teste Qui-quadrado de Pearson e o Teste Exato de
Fisher (p<0,05). Resultados: A maioria dos profissionais afirmou ter conhecimento sobre a violência contra a criança (85,0%), considerou-se apto a diagnosticar casos de maus-tratos (67,5%), bem como, declarou saber
agir diante de um caso suspeito (76,5%), sendo a denúncia ao Conselho Tutelar a conduta mais relatada (49,0%). Os profissionais com ensino superior, quando comparado aos profissionais com até o ensino técnico, apresentaram melhor desempenho no tocante ao conhecimento dos principais sinais de maus-tratos infantis (p=0,001), além de uma conduta mais favorável no que concerne a não omissão em reportar algum caso suspeito (p=0,010). Este mesmo grupo recebeu mais informações sobre os maus-tratos durante a formação
profissional (p=0,010). O interesse em participar de Cursos de Capacitação sobre o tema foi maior por parte daqueles com formação até o ensino técnico (p=0,002). Conclusão: Os profissionais de saúde apresentaram conhecimentos satisfatórios sobre o tema, observando-se um melhor desempenho por parte daqueles com formação superior. Comentários dos participantes denotaram interesse pelo assunto, bem como vontade de capacitar-se sobre o tema. Destaca-se, portanto, a necessidade de uma maior inclusão deste tema na formação dos profissionais, especialmente naqueles com escolaridade até o ensino técnico.
Descritores: Conhecimentos, atitudes e práticas em saúde. Maus-tratos infantis.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Andreza Cristina de Lima Targino Massoni, Universidade Estadual da Paraíba-UEPB

Departamento de Odontologia da Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, Paraíba, Brasil.

Maria Aldenize Neves Freitas Almeida

Cirurgião-Dentista, Patos, Paraíba, Brasil.

Cássio Gadelha Martins

Cirurgião-Dentista, Patos, Paraíba, Brasil.

Ramon Targino Firmino, Universidade Estadual da Paraíba-UEPB

Programa de Pós-graduação em Clínica Odontológica, Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, Paraíba, Brasil.

Ana Flávia Granville- Garcia, Universidade Estadual da Paraíba-UEPB

Programa de Pós-graduação em Clínica Odontológica, Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, Paraíba, Brasil.

Referências

1. Fundo das Nações Unidas para a Infância. Situação da infância brasileira 2006: crianças de até 6 anos: o direito à sobrevivência e ao
desenvolvimento. Brasília: UNICEF; 2005.
2. Azevedo MS, Goettems ML, Brito A, Possebon AP, Domingues J, Demarco FF, et al. Child maltreatment: a survey of dentists in southern
Brazil. Braz Oral Res. 2012; 26:5-11.
3. Sousa GFP, Carvalho MMP, Granville-Garcia AF, Gomes MNC, Ferreira JMS. Conhecimento de acadêmicos em odontologia sobre maus-tratos
infantis. Odonto. 2012; 20:109-17.
4. Ricas J, Donoso MTV, Gresta MLM. A violência na infância como uma questão cultural. Texto & Contexto Enferm. 2006; 15:151-4.
5. Donoso MTV, Ricas J. Perspectiva dos pais sobre educação e castigo físico. Rev Saúde Pública. 2009; 43:78-84.
6. Martins CBG. Maus tratos contra crianças e adolescentes. Rev Bras Enferm. 2010; 63:660-5.
7. Shaffer A, Yates TM, Egeland BR. The relation of emotional maltreatment to early adolescent competence: developmental processes in a prospective study. Child Abuse Negl. 2009;33:36- 44.
8. Massoni ACLT, Ferreira AMB, Aragão AKR, Menezes VA, Colares V. Aspectos orofaciais dos maus-tratos infantis e da negligência odontológica. Ciênc Saúde Coletiva. 2010; 15:403-10.
9. Lazenbatt A, Freeman, R. Recognizing and reporting child abuse: a survey of primary healthcare professionals. J Adv Nurs. 2006;
56:227-36.
10. Santos JF, Nunes KS, Cavalcanti AL, Silva EC. Maus tratos infantis: conhecimento e atitudes de odontopediatras em Uberlândia e Araguari, Minas Gerais. Pesqui Bras Odontopediatria Clín Integr. 2006; 6:273-9.
11. Owais AI, Qudeimat MA, Qodceih S. Dentists’ involvement in identification and reporting of child physical abuse: Jordan as a case study. Int J Paediatr Dent. 2009;19:291-6.
12. Luna GLM, Ferreira RC, Vieira JES. Notificação de maus-tratos em crianças e adolescentes por profissionais da equipe saúde da família. Ciênc Saúde Coletiva. 2010; 15:481-91.
13. Granville-Garcia AF, De Menezes VA; Silva PFRM. Maus tratos infantis: percepção e responsabilidade do cirurgião dentista. Rev
Odonto Ciênc. 2008; 23:35-9.
14. Granville-Garcia AF, Silva MJS, Menezes VA. Maus tratos a crianças e adolescentes: um estudo em São Bento do UNA, PE, Brasil. Pesqui Bras
Odontopediatria Clín. Integr. 2008; 8: 301-7.
15. Granville-Garcia AF, Vaz TM, Martins VM, Massoni ACLT, Cavalcanti AL, Menezes VA. Maus tratos em crianças e adolescentes de
Solânea, Paraíba, Brasil: ocorrência e conduta profissional. Rev Bras Pesqui Saúde. 2010; 12: 26-33.
16. Antunes JLF, Peres MA. Fundamentos de odontologia: epidemiologia da saúde bucal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.
17. Granville-Garcia AF, Menezes VA, Torres Filho B, Araújo R, Silva PFR. Ocorrência de maus tratos infantis em crianças e adolescentes na cidade de Caruaru/PE. Pesqui Bras Odontopediatria Clín Integr. 2006; 1:57-61.
18. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diretrizes do NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família). Cadernos de Atenção Básica, n.27. Brasília: Ministério da Saúde; 2009.
19. Crisp BR, Lister PG. Child protection and public health: nurses’ responsibilities. J Adv Nurs. 2004; 47:656-63.
20. Manea S, Favero GA, Stellini E, Romoli L, Mazzucato M, Facchin P. Dentists’s perceptions, attitudes, knowledge, and experience about child
abuse and neglect in Northeast Italy. J Clin Pediatr Dent. 2007; 32: 19-25.
21. Sidebotham PD, Harris JC. Protecting children. Br Dent J. 2007;202:422-3.
22. Almeida AHV, Silva MLCA, Musse JDO, Marques JAM. A responsabilidade dos profissionais de saúde na notificação dos casos
de violência contra crianças e adolescentes de acordo com seus códigos de ética. Arq Odontol. 2012; 48:102-15.
23. Gonçalves HS, Ferreira AL. A notificação da violência intrafamiliar contra crianças e adolescentes por profissionais de saúde. Cad
Saúde Pública. 2002; 18:315-9.
24. Jackson AM, Rucker A, Hinds T, Wright JL. Let the record speak: medicolegal documentation in cases of child maltreatment. Clin Pediatr Emerg Med. 2006; 7:181-5.
25. Brasil. Ministério da Saúde. Estatuto da Criança e do Adolescente. 3ª ed. Brasília: Imprensa Nacional; 2008.
26. Sonbol HN, Abu-Ghazaleh S, Rajab LD, Baqain ZH, Saman R, Al-Bitar ZB. Knowledge, educational experiences and attitudes towards child abuse amongst Jordanian dentists. Eur J Dent Educ. 2012; 16:e158-65.
27. Silva JA, Dalmaso ASW. O agente comunitário de saúde e suas atribuições: os desafios para os processos de formação de recursos humanos em saúde. Interface Comun Saúde Educ. 2002; 6:75- 83.
28. Kellogg ND. Committee on child abuse and neglect. Evaluation of suspected child physical abuse. Pediatrics. 2007; 119:1232-41

Downloads

Publicado

2016-06-14

Como Citar

Massoni, A. C. de L. T., Almeida, M. A. N. F., Martins, C. G., Firmino, R. T., & Garcia, A. F. G.-. (2016). Maus-tratos na infância e adolescência: conhecimento e atitude de profissionais de saúde. Arquivos Em Odontologia, 50(2). Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/arquivosemodontologia/article/view/3652

Edição

Seção

Artigos

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)