Para criar limites e dizer eu
a autoimagem da mulher negra nas poéticas de Lubi Prates e Noémia de Sousa
DOI:
https://doi.org/10.17851/1982-0739.31.1.70-82Palavras-chave:
literatura moçambicana, literatura afro-brasileira, Atlântico Negro, Lubi Prates, Noémia de Sousa, autoimagem da mulher negraResumo
Tomando como base os novos lugares de enunciação da mulher negra nas literaturas modernas e contemporâneas, em especial na zona de entrecruzamentos culturais do Atlântico Negro, tal como pensada por Paul Gilroy (2001), esse artigo constrói uma leitura comparativa entre as obras de duas autoras: a poeta brasileira Lubi Prates e a poeta moçambicana Noémia de Sousa. Em Noémia de Sousa, identificamos o diálogo com a Negritude e com o debate Pan-Africanista, que se convertem numa convocação urgente para a luta. Em Lubi Prates, identificamos a melancolia e o sentimento exílico, oriundos de uma tentativa de organização dos fragmentos da memória provenientes da afro-diáspora. Em comum, vislumbramos nas poetas um esforço de construir um discurso sobre si próprias que não se subordine aos estereótipos negativos historicamente associados à mulher negra. Por fim, aproximamos o gesto poético disruptivo operado pelas poetas ao pensamento do filósofo camaronês Achille Mbembe, em sua obra Crítica da Razão Negra (2018), e ao Discurso Sobre a Negritude, proferido por Aimé Césaire em 1987.
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Referências
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