Amor (não) se explica torcida, topofilia e estádio de futebol

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Phelipe Caldas

Resumo

Qual a relação do torcedor com o estádio de futebol de seu clube do coração? E como isso pode interferir no desempenho deste clube em campo? Essas são algumas perguntas que pretendo refletir neste artigo, que parte do Estádio Almeidão, de João Pessoa, casa do Botafogo-PB, para discutir o conceito de topofilia no contexto futebolístico. Proponho-me a analisar como esses ambientes são ressignificados pela coletividade torcedora, que, por exemplo, coloca questões subjetivas como memória e afeto num patamar mais importante do que conforto e modernidade. Vou tentar discutir também, a despeito dos anseios da época, como pode reverberar criticamente o fato de João Pessoa ter ficado de fora da Copa do Mundo de 2014 e assim ter mantido sua praça esportiva com características e feições mais alheias ao processo de arenização que tomou boa parte dos grandes estádios do país. Para tanto, a título de comparação, vou resgatar a experiência traumática do Náutico com a Arena Pernambuco.

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Como Citar
Carvalho, P. C. P. (2021). Amor (não) se explica : torcida, topofilia e estádio de futebol. FuLiA / UFMG, 5(2), 52–78. https://doi.org/10.35699/2526-4494.2020.22131
Seção
DOSSIÊ

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