Dietética judaica, ritornelos e nações possíveis em De amor e trevas, de Amós Oz
DOI:
https://doi.org/10.35699/1982-3053.2023.46471Palavras-chave:
Amós Oz., Nacionalidade, Dietética judaicaResumo
Este artigo analisa aspectos da dietética judaica estendida à produção alimentar ideologizada, bem como à cultura palestina, no objetivo de compreendermos fatos conformadores da territorialização sociopolítica da geopolítica israelense e palestina. Tal análise possui como base a robusta narrativa De amor e trevas (2002), de Amós Oz, que traça um complexo e heterogêneo panorama da família desse pensador ativista, bem como das duas sociedades nas quais ele se insere para também refletir sobre a necessidade da formação identitárias dos dois povos, identidades-ritornelo (DELEUZE; GUATARRI, 1997) que arquitetam nações inventadas (ANDERSON, 2008) nas possibilidades culturais e sociopolíticas da mixofilia (BAUMAN, 2013). Essa condição dietética passará necessariamente pela natureza e funcionalidade do “kibutismo” (SANTANA, 2018), uma das fontes principais de práticas produtivas e ideológicas alimentares e éticas que conformam as possibilidades de formação equânime dos dois estados em condições dialógicas e pacíficas.
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