Sobre a Revista

Nuntius Antiquus é um periódico semestral, de fluxo contínuo, com avaliação de pares, mantido pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) desde 2008. Publica artigos científicos tendo como temática línguas, culturas e literaturas da Antiguidade e da Idade Média. Tem como missão fomentar a produção científica na área de estudos clássicos e medievais, permitindo a pesquisadores do Brasil e do exterior divulgarem suas pesquisas e contribuírem para o debate e o progresso científico na área. A revista destaca-se como um dos raros periódicos brasileiros voltados estritamente para os domínios da Antiguidade e do Medievo.

A revista não cobra qualquer taxa para submissão ou publicação de trabalhos.

Qualis A4 (quadriênio 2021–2024).

 

Notícias

CHAMADA: Nuntius Antiquus v. 23, n. 1 (2027) - Dossiê: Homenagem a Maria Helena da Rocha Pereira

2026-06-19

Com a missão de honrar um monumento de envergadura rara, a Nuntius Antiquus se vê diante de uma exigência considerável e intimidadora. Organizar um dossiê em homenagem à grande helenista lusitana, todavia, só alargará e qualificará ainda mais o nome da revista. Pedimos licença, portanto, para reproduzir aqui trecho do extenso verbete redigido por Delfim Leão e Nuno Simões Rodrigues, no Dicionário dos Historiadores Portugueses, da Academia Real de Ciências ao Final do Estado Novo, para introduzir a presença dessa notável pesquisadora a um público que porventura não a conheça suficientemente.

“Maria Helena Monteiro da Rocha Pereira nasceu no Porto, a 3 de setembro de 1925, no seio de uma família de classe média alta. Filha de um Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Alfredo da Rocha Pereira, Maria Helena da Rocha Pereira teve na figura do pai um exemplo tutelar que muito influenciaria a futura especialista em Filologia Clássica. Essa influência é visível, por exemplo, no gosto que viria a cultivar por figuras ligadas à história da Medicina, como Pedro Hispano, autor do século XIII de quem possuímos um importante legado constituído por obras médicas e que viria a ser o primeiro e, até hoje, único Papa português: João XXI. No Porto, M. H. da Rocha Pereira estudou no Liceu D. Carolina Michaëlis, que se situava nas imediações da casa da família e não muito longe do local onde viria a falecer 91 anos mais tarde (a 10 de abril de 2017), depois de uma vida inteira dedicada ao estudo. Ao longo da sua vida, nunca o afeto que tinha pela cidade do Porto esmoreceu, dedicando lhe, e a algumas das figuras a ela ligadas, alguns estudos, como e.g. As imagens e os sons na lírica de Guerra Junqueiro e O Porto na obra de Ramalho Ortigão, ambos de 1950 — tinha a sua autora apenas 25 anos. Em 1942, matriculou-se no curso de Filologia Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde não só aprofundou o seu conhecimento do Grego e do Latim, como se iniciou no estudo do Hebraico Clássico. O seu conhecimento exímio das línguas antigas somava-se ao domínio exemplar que tinha de outras línguas modernas, nomeadamente o alemão, o castelhano, o francês, o inglês e o italiano. Em Coimbra se licenciou em 1947, tendo sido discípula de Professores como Francisco Rebelo Gonçalves e Carlos Simões Ventura. Já licenciada, regressou ao Porto e ingressou no Centro de Estudos Humanísticos, ligado à Universidade da Cidade Invicta. Nessa condição, ali proferiu, ao longo do ano de 1948, uma série de “Lições de Literatura Latina”, que viriam a ser posteriormente publicadas. Até 1950, M. H. da Rocha Pereira desenvolve atividade letiva na cidade do Porto e, nesse mesmo ano, ganha uma bolsa do Instituto de Alta Cultura que lhe permite ir para o Reino Unido e ali matricular-se na Universidade de Oxford. Juntamente com a cidade do Porto e Coimbra, Oxford completaria o conjunto de três cidades por que M. H. da Rocha Pereira nunca perderia o encanto. Com efeito, entre 1950 e 1959, em três estadias distintas, Oxford viria a proporcionar à filóloga e especialista em História Cultural o convívio com e o usufruto do magistério de eminentes classicistas, como E. R. Dodds, J. Beazley, E. Fraenkel, W. S. Barrett e R. Pfeiffer. M. H. da Rocha Pereira nunca deixaria de os mencionar como seus Mestres. Com Dodds, em particular, viria a estudar Literatura e Religião Gregas, com Beazley faria a sua iniciação no estudo de vasos gregos, o que lhe permitiu inaugurar um campo de estudo até então praticamente inédito em Portugal. Ainda hoje, no nosso país, M. H. da Rocha Pereira é o nome que convoca maior autoridade não só em cerâmica grega, como em arte grega em geral.” (Leão e Rodrigues, https://dichp.bnportugal.gov.pt/).

Ante tudo isso, há que admitir que um dossiê celebratório não será difícil organizar; os temas a serem abordados são abundantes e cumprem um percurso que vai de Homero à Época Helenística e ainda à Literatura Contemporânea. Os colegas que estimam o trabalho da helenista portuguesa poderão se empenhar em artigos de áreas diversas para além da estrita Filologia Clássica. Serão aceitos estudos, ensaios e resenhas que tratem de pesquisas e artes voltadas para as Literaturas Clássicas; Literaturas Medievais; Arqueologia; História da Literatura e Artes em Geral; História da Cultura, da Medicina, da Religião, da Geografia Antigas; Teatro; Filosofia; Mitologia e Recepção Clássica em todas as culturas, área que marca a dinâmica e histórica movimentação criativa da transmissão cultural.

 

Organizadores: Priscilla Gontijo, Tereza Virgínia R. Barbosa

 

Prazo para submissão: 15 de outubro de 2026.

Saiba mais sobre CHAMADA: Nuntius Antiquus v. 23, n. 1 (2027) - Dossiê: Homenagem a Maria Helena da Rocha Pereira

Edição Atual

v. 22 n. 1 (2026): As fontes gregas, latinas e árabes das provas da existência de Deus
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Editores: Heloísa Maria Moraes Moreira Penna, Antonio Orlando de Oliveira Dourado Lopes.

Organizadores: Bernardo Lins Brandão (UFMG), Maurizio Filippo di Silva (UFPR).

Publicado: 2026-04-07
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