Gênero, arte e olhar
a metamorfose de Orfeu e Eurídice para o filme Retrato de uma jovem em chamas (2019), de Céline Sciamma
DOI:
https://doi.org/10.35699/1983-3636.2025.58719Palavras-chave:
Retrato de uma jovem em chamas, Metamorfoses, Ovídio, recepção clássica, gênero e sexualidadeResumo
Analisa-se a recepção do mito de Orfeu e Eurídice, das Metamorfoses de Ovídio, no filme Retrato de uma jovem em chamas, de Céline Sciamma (2019). Os aportes teóricos da recepção clássica e intermidialidade possibilitam a compreensão dialógica que se estabelece quando um filme recebe um texto antigo. A recepção cinematográfica das Metamorfoses dá a ver o processo de cinemetamorphosis, estruturalmente e tematicamente presente no cinema. Ao mesmo tempo, essa leitura é reforçada pelos estudos de gênero e sexualidade, que também mostram como se estabelece a relação entre as personagens femininas, centrado no tema das artes visuais. Conclui-se que a questão principal que move a narrativa do filme é a do olhar, que perpassa tanto a virada de Orfeu para Eurídice quanto a artista (Marianne/Orfeu) que olha e é olhada pela musa (Héloïse/Eurídice) para produzir arte. Sendo assim, Retrato trata de metamorfoses artísticas e amorosas.
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