Ensinar publicidade na era da inteligência artificial generativa
desafios criativos, éticos e autorais
DOI:
https://doi.org/10.35699/2237-5864.2025.58828Palavras-chave:
direitos autorais, ensino-aprendizagem, inteligência artificial generativa, publicidadeResumo
Este artigo tem como objetivo analisar criticamente os desafios pedagógicos, éticos e autorais envolvidos no ensino de Publicidade e Propaganda no Brasil diante da crescente adoção de tecnologias de inteligência artificial generativa (IAG). Com base em um referencial teórico que articula autores da área de criatividade, ética e direito autoral, e em consonância com diretrizes nacionais sobre o uso responsável da IAG, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com entrevistas semiestruturadas realizadas com quatro docentes do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Regional de Blumenau (FURB), no ano de 2025. Os participantes foram selecionados por amostragem intencional, com foco na atuação em componentes curriculares criativos e na legislação, e os resultados foram avaliados por análise temática. Os resultados evidenciam a necessidade de mediações pedagógicas que promovam o pensamento crítico, a autoria consciente e o domínio conceitual. Foram identificadas estratégias docentes que deslocam o uso da IAG de um fim em si para um meio de construção argumentativa e estética, além de apontamentos sobre lacunas institucionais quanto a normativas claras sobre autoria e uso de tecnologias no ensino-aprendizagem. Conclui-se que, para além da instrumentalização técnica, a IAG deve ser integrada de forma transversal aos currículos, com ênfase em aspectos éticos e normativos. O estudo reforça a urgência de políticas institucionais que garantam a formação crítica, criativa e juridicamente consciente dos futuros profissionais da comunicação.
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