Marx e Engels diante das deusas
a representação feminina na mitologia grega
DOI:
https://doi.org/10.35699/2525-8036.2026.55917Palavras-chave:
Mulheres, Deusas, Mitologia, Marx, EngelsResumo
Neste artigo, analisa-se tanto a obra A origem da família, da propriedade privada e do Estado, de Friedrich Engels, quanto os Cadernos Etnológicos de Karl Marx, com foco em seus extratos sobre Morgan. Serão debatidas passagens nas quais tanto Marx quanto Engels apresentam uma disparidade na representação feminina na mitologia grega entre a figura da deusa e a da mulher. Entendemos que, para os autores, as deusas (femininas) estariam em uma posição mais próxima dos deuses (masculinos) que as mulheres dos homens no âmbito terreno, e essa discrepância poderia ser compreendida como uma herança, que se manteve na expressão religiosa, de um momento histórico pretérito em que as mulheres detinham uma posição mais igualitária, livre e influente em relação aos homens. Nesse sentido, resgata-se a noção de ossificação ou fóssil social, desenvolvida por ambos autores, como uma categoria importante para a interpretação da mitologia grega. Desse modo, busca-se demonstrar o que cada autor expôs sobre o tema, levando em consideração os períodos históricos, os textos literários e as personagens que invocam para defender suas hipóteses, além de comparar o pensamento de cada um para definir se há ou não uma concordância entre ambos na temática. Assim, o artigo também pretende contribuir para o debate sobre a compreensão de Marx e de Engels acerca da historicidade da opressão de gênero.
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