O alvorecer no Estado na translinguística idealista
DOI:
https://doi.org/10.35699/2525-8036.2025.61146Palavras-chave:
Translinguística, Filosofia da linguagem, Alvorecer do EstadoResumo
Como alvorece o inefável e intangível na concretude universalizada, originalmente retido nos pensamentos e na essência, senão por meio da linguagem? Este artigo propõe uma análise translinguística (Bakhtin) idealista (Hegel e Humboldt) para compreender a construção da ideia de Estado na concretude por meio da filosofia da linguagem e das relações interativas, compreendendo o trânsito da consciência como impulsionado pelos atos de nomeação, alteridade e escrutínio provenientes da externalização das vontades. A pergunta principal é: como a dialética que conceitua a essência do Estado enquanto parte externalizada do espírito objetivo se faz a partir da recém-compreendida translinguística idealista? A resposta se dá em um trajeto duplo: apresentar a translinguística (também metalinguística ou análise dialógica do discurso) e coloca-la em união ao idealismo e, em seguida, entender os pontos de apoio da construção da ideia de Estado a partir da lente proposta. Para tanto, fazemos o uso da transposição da essência subjetiva internalizada para um conceito universalizado e replicável, na figura de signo linguístico; do movimento da energia criativa da linguagem para impulsionar a transposição do pensamento ao real; e da coletivização da internalidade do discurso e na sua expressão como reflexão e refração de ideias para a construção de uma ideologia.
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