O Estado entre o esgotamento de sentidos e a modernidade constitucional

envelhecimento, movimentação e autonomia conceitual

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2525-8036.2026.65325

Palavras-chave:

Estado, Esgotamento de sentidos, Modernidade constitucional, História dos conceitos, Autonomia conceitual

Resumo

O presente trabalho investiga a transformação da ideia de Estado no interior da modernidade constitucional a partir da chave analítica da história dos conceitos, com especial atenção aos processos de envelhecimento semântico e reocupação conceitual. Parte-se da hipótese de que o Estado, embora permaneça como estrutura central de organização do poder, já não é capaz de sustentar, em chave autorreferente, os fundamentos de sua própria legitimidade, encontrando-se submetido a uma dinâmica de deslocamento que o reinscreve em estruturas narrativas que o excedem. Nesse contexto, a Constituição é compreendida não como mera instância normativa ou texto jurídico, mas como estrutura narrativa-normativa de produção de sentido, responsável por conformar os horizontes de inteligibilidade do político e estabilizar expectativas de legitimidade. A análise evidencia que a historicidade conceitual não se apresenta como linearidade evolutiva, mas como campo de tensão entre permanência e transformação, no qual conceitos fundamentais sobrevivem por meio de processos de ressignificação contínua. A partir dessa perspectiva, examinam-se duas dimensões centrais de relativização da soberania — a intergeracionalidade e a internacionalização — demonstrando como ambas tensionam a possibilidade de autoatribuição dos sentidos do Estado e reconfiguram a dinâmica da legitimidade democrática. Conclui-se que a autonomia do Estado não pode mais ser compreendida como autossuficiência, mas como capacidade de reinscrição narrativa no interior da gramática constitucional, de modo a manter aberta a disputa pelos sentidos do poder em um cenário marcado pela pluralização das instâncias de interesse.

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Biografia do Autor

  • Maurício Sullivan Balhe Guedes, Universidade Federal de Minas Gerais

    Residente Pós-Doutoral, Doutor e Mestre em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Brasil, com área de estudo em Direito Constitucional, Hermenêutica Constitucional e Teoria da Constituição. Coordenador Adjunto e Pesquisador Associado I The Constitutional Centre (CNPq/UFMG), Brasil. Coordenador Adjunto e Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa Constitucionalismo Estrutural e Narrativa de Poder (FAPEMIG/CAPES/CNPq/UFMG), Brasil. Professor Orientador e Pesquisador LIDE – Núcleo de Litigância Estratégica em Direitos Humanos (UFMG), Brasil. Coordenador do Projeto de Extensão The Constitutional Centre – Aula Aberta (UFMG), Brasil. Co-Coordenador do Projeto de Extensão Jornal Nova Roma (UFMG), Brasil. Professor Substituto de Direito Constitucional e Teoria do Estado da Faculdade de Direito e Ciências do Estado da UFMG, Professor Visitante do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFMG, Brasil. Coordenador Jurídico e Advogado. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0785-9438. Contato: mauriciosullivan1@gmail.com. 

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Publicado

06-04-2026

Como Citar

GUEDES, Maurício Sullivan Balhe. O Estado entre o esgotamento de sentidos e a modernidade constitucional: envelhecimento, movimentação e autonomia conceitual. Revista de Ciências do Estado, Belo Horizonte, v. 11, n. 1, p. 1–46, 2026. DOI: 10.35699/2525-8036.2026.65325. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revice/article/view/e65325. Acesso em: 11 abr. 2026.