Fantasias coloridas de destruição

Autores

Palavras-chave:

Cinema, Nazismo, Holocausto

Resumo

O filme em cores no ‘Terceiro Reich’ foi obtido através de processos químicos desenvolvidos pelos técnicos da IG-Farben, a mesma indústria que fornecia o gás Zyklon B para os campos de extermínio. A melhoria da cor no cinema alemão e o extermínio dos judeus nas câmaras de gás corriam paralelamente, em aperfeiçoamentos contínuos, dentro de um sistema totalitário, no qual cultura e barbárie tornavam-se indissociáveis. A aliança entre a arte e o crime não podia deixar de refletir-se no próprio imaginário produzido. Antissemita desde as bases biológicas de seu modo de produção, o cinema nazista criou reveladoras fantasias de destruição.

Biografia do Autor

LUIZ NAZARIO, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Brasil

Luiz Nazario é doutor em História Social pela Universidade de São Paulo, com a tese: Imaginários da destruição: O papel da imagem na preparação do Holocausto (1994). Desde 1997 é Professor (Associado IV) de História do Cinema da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais e, desde 2002, Pesquisador Bolsista do CNPq (PQ1-B). Publicou 19 livros, 26 capítulos de livros, 98 artigos em periódicos especializados e 12 trabalhos em anais de eventos no Brasil e no exterior.

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Publicado

2016-11-01

Como Citar

NAZARIO, L. Fantasias coloridas de destruição. PÓS: Revista do Programa de Pós-graduação em Artes da EBA/UFMG, [S. l.], p. 175–197, 2016. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistapos/article/view/15746. Acesso em: 10 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos - Seção temática