O “cinema” cantado dos Maxakali

  • Charles Antônio de Paula Bicalho Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) - Unidade Cláudio
Palavras-chave: Imagem, Cinema, Maxakali

Resumo

Este estudo trata de aspectos da imagem na arte verbal dos Maxakali ou Tikmû’ûn, povo indígena que habita Minas Gerais. Com população em torno de dois mil indivíduos, os Maxakali falam sua língua ancestral, o Maxakali, do tronco linguístico Macro-Gê. Seus cantos rituais, chamados yãmîy, são pródigos na apresentação de imagens que descrevem elementos de seu mundo terreno e espiritual. Objetos, personagens, cenários, cenas e diálogos que compõem suas narrativas tradicionais emergem condensados em seus cantos durante seus rituais yãmîyxop. Compostos segundo um método ideogrâmico e emitidos em certa sequência, os cantos rituais yãmîy dão aos rituais maxakalis um caráter proto-cinematográfico, uma vez que evocam imagens sequenciais para narrar. Com foco no filme Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali (2016), uma realização da produtora Pajé Filmes com os Maxakali, baseada em história tradicional deste povo, procura-se demonstrar como a lógica do ritual auxilia na estruturação da obra audiovisual.

Biografia do Autor

Charles Antônio de Paula Bicalho, Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) - Unidade Cláudio

Graduação em Letras na UFMG. Master of Arts pela Universidade do Novo México, EUA. Especialização em pós-produção para cinema, tv e novas mídias pela UNA-BH. Doutor em Estudos Literários pela Faculdade de Letras da UFMG. Pós-Doutor junto à CAPES/Ministério da Educação na Universidade do Novo México, EUA. Produtor, roteirista, editor e diretor audiovisual.

Publicado
2019-11-22
Como Citar
ANTÔNIO DE PAULA BICALHO, C. O “cinema” cantado dos Maxakali. PÓS: Revista do Programa de Pós-graduação em Artes da EBA/UFMG, p. 266-285, 22 nov. 2019.
Seção
Artigos - Seção aberta