A cidade como suporte

o grafite no limiar entre a criminalização e a consagração

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-2046.2023.45484

Palavras-chave:

arte urbana, grafite, criminalização, CURA

Resumo

O reconhecimento do grafite enquanto manifestação artística é recente e remonta aos conceitos de arte pública e arte urbana. Muitos são os desafios enfrentados por essa manifestação artística que se encontra no limiar da consagração e da infração, do público e do privado, da marginalização e da legitimação social e institucional. Refletindo sobre isso, este artigo apresenta como estudo de caso duas obras de grafite que foram objetos de ações judiciais controversas, Híbrida Ancestral – Guardiã Brasileira, da artista Criola, e Deus é mãe, do artista Robinho Santana, que integram o Circuito Urbano de Arte (CURA) de Belo Horizonte e são exemplos da complexidade social, política e jurídica que envolve o grafite no Brasil.

Biografia do Autor

Mariah Boelsums, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutoranda em Patrimônio Cultural pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Mestrado em Patrimônio Cultural pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (2019). Graduação em Conservação-Restauração de Bens Culturais Móveis pela Universidade Federal de Minas Gerais (2014). Atualmente é servidora da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (SECEC-DF) como analista de atividades culturais em conservação e restauro, onde ocupa cargo de gerente de Conservação e Restauro na Subsecretaria do Patrimônio Cultural (SUPAC).

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Publicado

2023-12-18

Como Citar

BOELSUMS, M. A cidade como suporte: o grafite no limiar entre a criminalização e a consagração. PÓS: Revista do Programa de Pós-graduação em Artes da EBA/UFMG, Belo Horizonte, v. 13, n. 29, p. 156–174, 2023. DOI: 10.35699/2238-2046.2023.45484. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistapos/article/view/45484. Acesso em: 25 abr. 2024.

Edição

Seção

Artigos - Seção aberta