Mobilidade social no Sertão da Ressaca: as trajetórias de Maria Bernarda de Oliveira e Eufrosina Maria de Oliveira

Autores

  • Profª. Sandy Ferro Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ servidora
  • Profª. Drª. Amanda Ávila Graduada em História (UESB)

Palavras-chave:

História das mulheres, sertões da Bahia, mobilidade social.

Resumo

O presente artigo analisa as estratégias de mobilidade social que duas mulheres desenvolveram a partir do trabalho e de outras agências na Imperial Vila da Vitória (localizada em uma região conhecida como Sertão da Ressaca, atual município de Vitória da Conquista-BA), entre os anos de 1840-1888. Para tanto, pretende-se delinear elementos da trajetória da forra Maria Bernarda de Oliveira e de sua filha, mulher livre, Eufrosina Maria de Oliveira, destacando o projeto de progressiva mobilidade social de mãe e filha, considerando as estratégias que ambas utilizaram para conseguirem tal finalidade. Objetiva-se trazer uma nova análise sobre suas vidas, apoiada nas fontes e na historiografia já existente, procurando mostrar a ação ativa dessas mulheres para saírem de uma condição de submissão, pontuando, ainda, como elas contribuíram para a organização da sociedade na qual se inseriram.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Profª. Sandy Ferro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ servidora

    Graduação em Licenciatura Plena em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

  • Profª. Drª. Amanda Ávila, Graduada em História (UESB)

    Graduada em Licenciatura Plena em História pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Possui Pós-Graduação Lato Sensu em Memória, História e Historiografia pela mesma Instituição. Mestre e Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade (PPGMLS) da UESB. 

Referências

Fontes manuscritas:

1ª Vara Cível da Comarca de Vitória da Conquista. Sessão Judiciário - CEREMH. Termo de bem viver de Rosa Silvana de Oliveira a Maria Bernarda. 1872. Caixa Diversos: 1872 a 1873.

1ª Vara Cível da Comarca de Vitória da Conquista. Sessão Judiciário - CEREMH. Inventário: Eufrosina Maria de Oliveira. 1936-1937. Caixa: 94.

1º Tabelionato de Notas. Livro nº 3, ano 1849 a 1858. Carta de liberdade da escrava Maria Bernarda conferida por seu senhor o Ajudante João de Oliveira Freitas como abaixo se declara. In: SANTOS, Jorge Viana; NAMIUTI, Cristiane. Corpus DOVIC - Memória Conquistense. LAPELINC-Laboratório de Pesquisa em Linguítica de Corpus, UESB, Vitória da Conquista-Bahia/Brasil, 2016.

1º Tabelionato de Notas. Livro nº 8, ano 1870 a 1874. Escritura de doação inter vivos que faz o Capitão João de Oliveira Freitas as pessoas abaixo declaradas. 1871. In: SANTOS, Jorge Viana; NAMIUTI, Cristiane. Corpus DOVIC - Memória Conquistense. LAPELINC-Laboratório de Pesquisa em Linguítica de Corpus, UESB, Vitória da Conquista-Bahia/Brasil, 2016.

Fonte consultada na internet:

BRASIL. Lei de 18 de agosto de 1831. Crêa as Guardas Nacionaes e extingue os corpos de milicias, guardas municipaes e ordenanças. [S. l.], 18 ago. 1831. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei_sn/1824-1899/lei-37497-18-agosto-1831-564307-publicacaooriginal-88297-pl.html. Acesso em: 2 jul. 2025.

Referências bibliográficas:

ALVES, Adriana Dantas Reis. As mulheres negras por cima: o caso de Luzia Jeje.

Escravidão, família e mobilidade social - Bahia, c.1780 - c.1830. 2010. 246 f. Tese (Doutorado em História) - Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2010.

ALVES, Rogéria Cristina. Mosaico de forros: formas de ascensão econômica e social entre os alforriados (Mariana, 1727-1838). 2011. 174 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011.

ARAÚJO, Regina Mendes de. Donas de bens e de “gentes”: Mulheres livres e forras de vila do carmo e seu termo, (1713-1750). 2008. 168 f. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em História) - Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2008.

BARBOZA, Emilene Ceará. Estratégias de sobrevivência de escravas, forras, libertas e brancas pobres na São Paulo de fins do Império (1871-1889). 2012. 186 f. Dissertação (Mestrado em História Social) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

DANTAS, Mariana L. R. Mulheres e Mães Negras: mobilidade social e estratégias sucessórias em Minas Gerais na segunda metade do século XVIII. Almanack, Guarulhos, n. 12, p. 88-104, abr, 2016.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. 2. ed. rev. São Paulo, Brasiliense, 1995, 253p.

FARIA, Sheila de Castro. “Mulheres Forras – Riqueza e estigma social”. Revista Tempo, Rio de Janeiro, v. 5, n. 9, p. 65-92, 2000.

_______. Sinhás pretas, damas mercadoras. As pretas minas nas cidades do Rio de Janeiro e São João Del Rey (1700-1850). 2004. 258f. Tese (Professor Titular em História do Brasil). Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2004.

FURTADO, Júnia Ferreira. “Família e relações de gênero no Tejuco: o caso de Chica da Silva”. Varia Historia, Belo Horizonte, nº 24, p. 33-74, 2001.

GUEDES, Roberto Ferreira. De ex-escravos a elite escravista: a trajetória de ascensão social do pardo alferes Joaquim Barbosa Neves (Porto Feliz, São Paulo, século XIX). In: FRAGOSO, João L. R; ALMEIDA, Carla M. C. de.; SAMPAIO, Antonio C. J. de (Org.). Conquistadores e negociantes: história de elites no Antigo Regime nos trópicos. América lusa, século XVI a XVIII. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2007.

_______.Trabalho, família, aliança e mobilidade social: Estratégias de forros e seus descendentes – Vila de Porto Feliz, São Paulo, século XIX. Anais do V Congresso Brasileiro de História Econômica e 6ª Conferência Internacional de História de Empresas da ABPHE - Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica. Belo Horizonte, p. 1-25, 2003.

_______. Egressos do cativeiro: trabalho, família, aliança e mobilidade social. Porto Feliz, São Paulo, c.1798-c.1850. Rio de Janeiro, Mauad, 2008, 401p.

IVO, Isnara Pereira. Homens de caminho: trânsitos, comércio e cores nos sertões da América portuguesa - século XVIII. Vitória da Conquista, Edições UESB, 2012, 358p.

_______. O Anjo da Morte contra o Santo Lenho: poder, vingança e cotidiano no sertão da Bahia. 2. ed. Vitória da Conquista, Edições UESB, 2017, 296p.

_______. “Senhoras mestiças descendentes de forros. O que nos dizem as fontes cartoriais sobre mestiçagens. Séculos XVIII e XIX”. Fronteiras & Debates, Amapá, v. 10, n. 1, p. 27-48, 2023.

MEIRA, Diego Silva. Eufrosina Maria de Oliveira: concubinato, mobilidade e inserção social na Imperial Vila da Vitória, século XIX. 2023. 117 f. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2023.

NOVAIS, Idelma Aparecida Ferreira. Produção e comércio na Imperial Vila da Vitória (Bahia, 1840-1888). 2008. 188 f. Dissertação (Mestrado em História) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2008.

NOVAIS, Suzimar dos Santos. Mulheres sertanejas: política e economia no Sertão da Ressaca (1840-1920). 2011. 124 f. Dissertação (mestrado em História) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2011.

OLIVEIRA, Maria Inês Côrtes de. O liberto: o seu mundo e os outros (Salvador, 1790-1890). 1979. 248 f. Dissertação (Mestrado em ciências sociais) - Universidade Federal da Bahia, Salvador, 1979.

PAIVA, Eduardo França. Por meu trabalho, serviço e indústria: histórias de africanos, crioulos e mestiços na Colônia – Minas Gerais, 1716-1789. 1999. 360f. Tese (Doutorado em História) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.

_______. Escravos e Libertos nas Minas Gerais do século XVIII: estratégias de resistência através dos testamentos. 1ed. São Paulo, Annablume, 2009.

RIBEIRO, Marcos Profeta. Mulheres Sertanistas: Transmissão e Sedimentação Cultural do Trabalho Feminino na Formação das Primeiras Fazendas de Gado dos Sertões Baianos (1704-1838). 2019. 247f. Tese (Doutorado em História) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2019.

SANTOS, Ocerlan Ferreira. Memórias da Escravidão e das Mestiçagens no Sertão da Bahia do século XIX. 2015. 207 f. Dissertação (Mestrado em Memória: Linguagem e Sociedade) - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista, 2015.

SANTOS, Jucineide dos; MENDES, Francimaura. Entre redes de solidariedades e lutas: A experiência das libertas na Vila de Porto Seguro (1873-1885). Gênero, Niterói, v. 16, n.2, p. 33-54, 2016.

SILVA, Glaybson Guedes Barbosa da. “Talvez Deus te dê boa sorte nas Lavras”: estratégias de trabalho e sobrevivência de mulheres livres e libertas nas Lavras da Bahia (Lençóis, 1850 – 1880). 2019. 220 f. Tese (Doutorado em História) - Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2019.

SILVA, Maciel Henrique Carneiro da. Pretas de honra: trabalho, cotidiano e representações de vendeiras e criadas no Recife do século XIX (1840-1870). 299 f. Dissertação (Mestrado em História) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2004.

VIANA, Kelly Cristina Benjamim. Em Nome da Proteção Real: Mulheres Forras, Honra e Justiça na Capitania de Minas Gerais. 2014. 284f. Tese (Doutorado em História) - Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

Downloads

Publicado

02-11-2025

Como Citar

FERRO NOVAIS, Sandy; SOUZA ÁVILA LOBO, Amanda. Mobilidade social no Sertão da Ressaca: as trajetórias de Maria Bernarda de Oliveira e Eufrosina Maria de Oliveira. Temporalidades, Belo Horizonte, v. 17, n. 1, p. 1–20, 2025. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/temporalidades/article/view/60125. Acesso em: 15 jan. 2026.