Catolicismo de fachada: um estudo sobre a lógica azulejar dos registros devocionais portugueses nas frontarias domiciliares do Centro Histórico de São Luís, Maranhão

Autores

  • Giovanna Sousa Pereira Universidade Federal do Maranhão

Palavras-chave:

Azulejos; Registros devocionais; Devoção.

Resumo

O centro histórico da cidade de São Luís, Maranhão, abriga moradias que remetem ao período colonial e trazem fachadas adornadas com a cerâmica que adiciona iconicidade ao seu nome. Esse conjunto azulejar se fez muito presente com o ápice do período pombalino, no qual criou-se a Companhia de Comércio do estado do Grão-Pará e Maranhão. Contudo, além das figuras azulejares mais tradicionais, percebe-se uma tipologia que apresenta uma nova lógica de utilização. O registo ou registro devocional é um tipo de mosaico azulejar religioso que se insere nessas construções com outros propósitos, bem distintos da finalidade dos modelos convencionais, que geralmente cobrem as frontarias por completo. Posto isso, desenvolveu-se a necessidade de entender a simbologia social desses ícones sacros, estabelecendo uma relação intrínseca entre o cenário arquitetônico, seus componentes e a história urbana de São Luís. Logo, busca-se entender se esse adorno se tornou um objeto de materialização da devoção católica ou unicamente um símbolo de proteção domiciliar, herança da cultura lusa.

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Biografia do Autor

  • Giovanna Sousa Pereira, Universidade Federal do Maranhão

    22 anos, ludovicense, estudante do curso de História-Licenciatura na Universidade Federal do Maranhão e Estagiária do Arquivo Público do Estado do Maranhão - APEM

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Publicado

11-03-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático - Saberes em Movimento: Ciência, Cultura e Sociedade

Como Citar

PEREIRA, Giovanna Sousa. Catolicismo de fachada: um estudo sobre a lógica azulejar dos registros devocionais portugueses nas frontarias domiciliares do Centro Histórico de São Luís, Maranhão. Temporalidades, Belo Horizonte, v. 17, n. 2, p. 327–344, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/temporalidades/article/view/60912. Acesso em: 13 mar. 2026.