Deus Vult! A instrumentalização do passado medieval pela extrema-direita em Anders Breivik (2011) e Brenton Tarrant (2019)
Palavras-chave:
Neomedievalismo, Usos do passado, Extrema direitaResumo
O presente artigo investiga como elementos simbólicos e narrativos relacionados à Idade Média vêm sendo apropriados por extremistas de direita na contemporaneidade, com especial atenção aos casos de Anders Behring Breivik (Noruega, 2011) e Brenton Tarrant (Nova Zelândia, 2019). Ambos foram os autores de atentados terroristas e que utilizaram imagens e referências medievais – como os cavaleiros templários, as cruzadas e a ideia de uma cristandade em confronto ou sob ameaça – para construir uma estética de guerra sagrada e legitimar ideologicamente suas ações violentas. Ademais, esta análise se insere no campo dos estudos sobre o neomedievalismo, compreendido como a apropriação anacrônica, seletiva e politicamente orientada do passado medieval, desvinculada de compromissos com a veracidade histórica. Através do exame dos manifestos publicados por Breivik e Tarrant, bem como dos símbolos presentes em suas ações, o artigo demonstra como o imaginário medieval é mobilizado como instrumento de radicalização, reforço identitário e propagação de discursos xenofóbicos, islamofóbicos e eurocêntricos.
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