Campo em Disputa: Uma Análise Relacional das Testemunhas de Jeová no Brasil Autoritário (1941–1974)
Palavras-chave:
Testemunhas de Jeová, Autoritarismo, ConflitoResumo
Resumo: Este artigo investiga a formação discursiva da imagem das Testemunhas de Jeová no contexto de regimes autoritários recentes no Brasil, como o Estado Novo e a Ditadura Militar, períodos nos quais as esferas política e religiosa constituíram ambientes de permanente interpenetração e conveniência recíproca. A pesquisa se concentra na análise de um corpus composto por três textos-chave que atuaram como referências para leitores católicos, jornalistas e agentes do Estado: os ensaios dos padres Agnelo Rossi (1941) e Wolfgang Gruen (1961), e o artigo jornalístico de Wilson Kleber Moreira (1974). A metodologia é ancorada na análise relacional de Pierre Bourdieu, que utiliza a noção de campo religioso como um espaço de disputas simbólicas e produção de legitimidades, articulado intrinsecamente com os campos político e midiático. Sob a ótica da História Cultural das Religiões, o trabalho examina como a retórica de expansão e os dados estatísticos grandiosos utilizados pelas Testemunhas de Jeová, reproduzidos inclusive por seus críticos, constituem uma estratégia discursiva e uma tática de inscrição no imaginário coletivo, que cumpre a função de performar credibilidade e fundar simbolicamente a globalidade do grupo.
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