Entre corredeiras e remansos: memórias dos balseiros no Rio Uruguai
Palavras-chave:
Balseiros, Rio Uruguai, Memória.Resumo
O artigo “Entre corredeiras e remansos: memórias dos balseiros no Rio Uruguai” investiga o ciclo histórico, econômico e simbólico dos balseiros que, entre as primeiras décadas do século XX e os anos 1960, conduziram balsas de madeira pelo Rio Uruguai, conectando o Oeste catarinense e o Alto Uruguai gaúcho aos portos argentinos. A partir de fontes literárias, como São Miguel, de Guido Wilmar Sassi, e de depoimentos de ex-balseiros e memorialistas regionais, o texto analisa as práticas de trabalho, as redes de sociabilidade e as representações culturais que se formaram em torno da vida ribeirinha. A narrativa das viagens, marcada por riscos, fé e solidariedade, revela a complexa relação entre natureza e sociedade nas margens do rio — espaço de fronteira, comércio e religiosidade popular. O estudo insere o ofício dos balseiros na História Ambiental e Social do Sul do Brasil, destacando o papel do Rio Uruguai como eixo de integração econômica e de identidade cultural cabocla, bem como os impactos do seu declínio com o avanço das estradas, da mecanização e das barragens na segunda metade do século XX.
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