A ocidentalização das coisas: relações entre cultura material e violência ontológica
Palavras-chave:
Violência ontológica; Cultura material; Identidade.Resumo
Este artigo investiga a presença de violências ontológicas nos processos de institucionalização da cultura material. A partir dos conceitos de representação e cultura desenvolvidos por Homi K. Bhabha e Michel de Certeau, busca-se explicitar a constituição de condutas fundamentadas na noção de identidade como princípio organizador do pensamento ocidental. Em contraponto, mobilizam-se as perspectivas filosóficas de Gilles Deleuze, propondo a diferença como fundamento para compreender a realidade como fluxo e produção contínua. Argumenta-se que tais violências se manifestam de modo exemplar na trajetória do kàjre, concebido pelo povo Krahô como um “objeto-pessoa” e “agente ritual”, mas reduzido pela ontologia ocidental à condição de “artefato etnográfico”. Conclui-se que, ao apartar os artefatos de seus contextos de origem, de seus usos e das redes de relações que lhes conferem agência e existência, produz-se uma forma profunda de violência ontológica sobre outros modos de ser e habitar o mundo.
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