A Morte e a Medicina Social: os impactos dos debates da medicina social em Sant’Anna do Piraí, na primeira metade do século XIX

Autores/as

  • Ana Paula da Silva Rocha Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Palabras clave:

cemitério público, medicina social, Piraí

Resumen

O artigo tem como objetivo analisar a influência do pensamento higienista e da medicina social nos projetos de urbanização e salubridade, bem como nas práticas de enterramentos na vila de Sant’Anna do Piraí, no Médio Vale do Paraíba Fluminense, durante a primeira metade do século XIX. O texto busca evidenciar a relação entre os médicos, autoridades municipais e poder eclesiástico, destacando o papel da Câmara Municipal na implementação de medidas sanitárias baseadas nos padrões europeus. O médico vinculado ao poder público passou a intervir no espaço urbano, regulamentando as práticas de saúde e os ritos fúnebres. Em Piraí, o processo de construção do cemitério público foi marcado por resistência popular, limitações orçamentárias e disputas políticas. O registro das Atas da Câmara, relatórios fiscais e posturas municipais revela um prolongado debate iniciado em 1838 e concluído apenas em 1857, com a construção do cemitério público. Assim, o caso de Piraí foi influenciado pelo pensamento higienista disseminado na Corte, ampliando a compreensão entre as práticas fúnebres e a saúde pública no século XIX.

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Biografía del autor/a

  • Ana Paula da Silva Rocha, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

    Doutoranda em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e Bolsista pela CAPES

    Mestre em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

     

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Publicado

2026-03-11

Número

Sección

Dossiê Temático - Saberes em Movimento: Ciência, Cultura e Sociedade

Cómo citar

ROCHA, Ana Paula da Silva. A Morte e a Medicina Social: os impactos dos debates da medicina social em Sant’Anna do Piraí, na primeira metade do século XIX. Temporalidades, Belo Horizonte, v. 17, n. 2, p. 168–190, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/temporalidades/article/view/61017. Acesso em: 13 mar. 2026.