Apropriação de saberes indígenas na fronteira franco-portuguesa (1728-1769)
Keywords:
Saberes indígenas; Viajantes; Amazônia Colonial.Abstract
Este artigo pretende analisar a circulação e a apropriação de saberes indígenas na fronteira franco-portuguesa setecentista em narrativas de viajantes franceses. No século XVIII, as disputas entre as Coroas portuguesa e francesa nas fronteiras amazônicas resultaram no envio de expedições exploratórias, articulando fortemente, em seus objetivos, aspectos vinculados à ciência e à política para o domínio territorial. A produção científica dependia intensamente dos saberes indígenas, que atuavam como guias, intérpretes, canoeiros e informantes, viabilizando a coleta e a aclimatação de plantas e animais. Apesar da recorrente desvalorização europeia, esses povos foram protagonistas na circulação de conhecimentos sobre fauna, flora, hidrografia e geografia, influenciando políticas reformistas e estratégias coloniais. As narrativas de viajantes revelam tanto a dependência quanto a desconfiança em relação aos indígenas, evidenciando relações de poder marcadas por resistência, mediação cultural e apropriação de saberes locais no contexto da ciência ilustrada e da expansão imperial na Amazônia.
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