Abolicionismo inacabado: a literatura de Machado de Assis, Lima Barreto e Carolina Maria de Jesus, e o lugar do negro na construção de uma identidade nacional
Palabras clave:
Dispositivo de Racialidade; literatura brasileira; abolição.Resumen
O texto que segue tem por objetivo analisar as dinâmicas relacionadas ao dispositivo de racialidade (Carneiro, 2023) a partir da obra de três autores: Machado de Assis (1839 – 1908), Lima Barreto (1881 – 1922) e Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977). Por dispositivo de racialidade compreende-se um conjunto articulado de diferentes aspectos – como os saberes médicos, discursos legais, disposições arquitetônicas, tratados administrativos etc. – que forjam a raça enquanto marcador social da diferença e esquadrinha estratificações entre diferentes categoriais de sujeitos a partir de questões como cor da pele e outras condições biológicas. Metodologicamente, tomamos a literatura como um dos sustentáculos desse dispositivo a fim de apresentar e discutir como a raça e o racismo perpassam as obras e a experiência de vida dos/as autores supracitados entre o final do século XIX e meados do século XX.
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