Para onde foi a capital de Gana? Sobre o sítio arqueológico de Koumbi-Saleh, o Islã no Sahel e a conquista almorávida

Autores/as

Palabras clave:

Cidade do Gana, soninquês, Cultura e Poder

Resumen

As discussões sobre a localização da capital do reino de Gana/Wàgádù, também chamada de Cidade do Gana nas fontes primárias, efetivamente congelaram desde a descoberta e exploração do sítio de Koumbi-Saleh, dividindo a arqueologia e historiografia entre aqueles que defendem o sítio como a perdida cidade e aqueles que são críticos da proposta. Apesar disso, a proposta aparece como fato em trabalhos recentes por ausência de melhores alternativas, ou então de divulgação de discussões contrárias no âmbito nacional e, em certos casos, internacional. No presente artigo, os principais argumentos utilizados em defesa dessa proposta, como a conquista almorávida e a islamização forçada e súbita do Sahel, serão descontruídos e confrontados tanto com a análise das fontes primárias quanto com importantes artigos de pouco ou nenhum alcance nacional. Através das discussões do artigo, afirma-se que a conquista almorávida foi um mal-entendido historiográfico, enquanto a islamização do Sahel jamais chegou a ser forçada ou súbita. Além disso, são oferecidas duas novas identificações urbanas: Koumbi-Saleh seria a cidade de Awdaghust, enquanto a Cidade do Gana foi Djenné-Djenno.

Descargas

Los datos de descarga aún no están disponibles.

Biografía del autor/a

  • Rodrigo Marino Romano, Universidade Federal do Paraná

    Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Paraná (PPGHIS-UFPR). Mestrado em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com a dissertação intitulada ''Sal e ouro: repensando Cultura e Poder no Sahel através de Ghana e Mali (séculos X-XIV)''. Graduado em História pela UFPR, com a monografia intitulada ''Espiritualidade popular, cultura e sociedade na África do Norte (séculos IV-VI EC)''. Tem experiência em História, com ênfase em História Antiga, História Medieval e História da África Pré-Moderna. 

Referencias

ARMSTRONG, K. Islam: a Short History. Nova Iorque: Modern Library, 2002.

CONRAD, D.; FISHER, H. J. The conquest that never was: Ghana and the Almoravids, 1076. I. The external Arabic sources. History in Africa, v. 9, 1982, p. 21-59.

ES'ANDAH, B. W. An archaeological view of the urbanization process in the earliest West African states. Journal of the Historical Society of Nigeria, v. 8, n. 3, p. 1-20, 1976.

GOMEZ, M. A. African Dominion: A New History of Empire in Early and Medieval West Africa. Princeton: Princeton University Press, 2018.

INSOLL, T.; SHAW, T. Gao and Igbo-Ukwu: Beads, interregional trade, and beyond. African Archaeological Review, v. 14, n. 1, 1997, p. 9-23.

KRITZINGER, A. Close Fit of Seven Towns in Ptolemy's Geographica with Seven Aoukar Heritage Sites: Impacts on Early Arab Itineraries across Mauritania, Senegal, and Mali. The Arab World Geographer, v. 14, n. 2, 2011, p. 188-204.

LEVTZION, N. Ancient Ghana and Mali. Nova Iorque: Africana Publishing Company, 1980.

LEVTZION, N.; SPAULDING, J. (eds.). Medieval West Africa: views from Arab scholars and merchants. Princeton: Markus Wiener Publishers, 2003.

LOPES, C. O Kaabu e os seus vizinhos: uma leitura espacial e história explicativa de conflitos. Afro-Ásia, n. 32, 2005, p. 9-28.

MACEDO, J. R. Antigas Sociedades da África Negra. São Paulo: Contexto, 2021.

MALACCO, F. S. Áfricas Soberanas: repensando as nomenclaturas da história africana anterior ao século XIX. Uberlândia, Cadernos de Pesquisa do CDHIS, v. 38, n. 1, 2025, p. 9-39.

MARTIN, B. G. Kanem, Bornu, and the Fazzān: Notes on the political history of a trade route. The Journal of African History, v. 10, n. 1, 1969, p. 15-27.

MASONEN, P.; FISHER, H. J. Not Quite Venus from the Waves: The Almoravid Conquest of Ghana in the Modern Historiography of Western Africa. History in Africa, v. 23, 1996, p. 197-232.

MASONEN, P. The Negroland Revisited: Discovery and Invention of the Sudanese Middle Ages. Helsinki: Finnish Academy Sciences, 2001.

MCINTOSH, S. K.; MCINTOSH, R. J. Jenné-Jeno: an ancient African city. Archaeology, Nova Iorque, v. 33, n. 1, jan/fev 1980, p. 8-14.

MCINTOSH, S. K.; MCINTOSH, R. J. The early city in West Africa: towards an understanding. African Archaeological Review, v. 2, n. 1, 1984, p. 73-98.

MCINTOSH, S. K. Capital of Ancient Ghana. The Journal of African History, v. 41, n. 2, 2000, p. 296-298. Resenha de: BERTHIER, S. Recherches archéologiques sur la capitale de l'empire de Ghana: Etude d'un secteur d'habitat à Koumbi Saleh, Mauritanie. Campagnes II-III-IV-V, 1975-76 – 1980-1981. Oxford: Archaeopress, 1997. 143 p.

NIANE, D. T. Tradução de PICKETT, G. D. Sundiata: an Epic of old Mali. Harlow: Pearson Education Limited, 2006

PINTO, O. L. V. Made in Medieval: a ‘exportação’ do Medievalismo e a compreensão da História Africana. Antíteses, Londrina, v. 13, n. 26, 2020, p. 126-155.

ROBINSON, D. Muslim societies in African history. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

ROMANO, R. M. Sal e Ouro: repensando cultura e poder no Sahel através de Ghana e Mali (séculos X-XIV). 2025. 148 f. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2025.

SANNEH, L. O. Beyond Jihad: The Pacifist Tradition in West African Islam. Oxford: Oxford University Press, 2016.

SEMONIN, P. The Almoravid movement in the Western Sudan: a review of the evidence. Transactions of the Historical Society of Ghana, v. 7, 1964, p. 42-59.

TRIMINGHAM, J. S. The influence of Islam upon Africa. Londres & Nova Iorque: Longman Group Limited, 2ª ed., 1980.

Publicado

2026-08-10

Cómo citar

MARINO ROMANO, Rodrigo. Para onde foi a capital de Gana? Sobre o sítio arqueológico de Koumbi-Saleh, o Islã no Sahel e a conquista almorávida. Temporalidades, Belo Horizonte, v. 18, n. 1, p. 1–26, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/temporalidades/article/view/64828. Acesso em: 13 aug. 2026.