Saberes indígenas e ciência de fronteira: circulação de conhecimentos nas demarcações luso-espanholas na América Meridional (século XVIII)

Autores

  • Layla Freitas de Matos Universidade Federal Fluminense

Palavras-chave:

saberes indígenas, Partidas de Limites, fronteiras coloniais

Resumo

Este artigo analisa a contribuição dos povos indígenas para a conformação territorial da América Meridional no contexto das demarcações de fronteira realizadas pelas comissões luso-espanhola no século XVIII, chamadas de Partidas de Limites. A partir de fontes cartográficas, manuscritas e diários das Partidas de Limites, evidenciam-se formas de apropriação e silenciamento de saberes locais por engenheiros e astrônomos europeus, mas também de circulação de saberes que evidenciam a agência indígena. Em diálogo com a História da Ciência e História Indígena, argumenta-se que os indígenas não apenas auxiliaram tecnicamente as comissões, mas também forneceram informações fundamentais sobre geografia, navegação fluvial e toponímia. Destaca-se o protagonismo de figuras como Francisco Xavier Arirapi, cujo conhecimento foi determinante para a resolução de disputas geográficas. Ao evidenciar essas interações, o artigo propõe uma releitura crítica dos processos de produção do saber científico colonial.

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Publicado

11-03-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático - Saberes em Movimento: Ciência, Cultura e Sociedade

Como Citar

FREITAS DE MATOS, Layla. Saberes indígenas e ciência de fronteira: circulação de conhecimentos nas demarcações luso-espanholas na América Meridional (século XVIII). Temporalidades, Belo Horizonte, v. 17, n. 2, p. 61–86, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/temporalidades/article/view/61020. Acesso em: 13 mar. 2026.