Entre o pranto materno e a sucessão: indícios político-sociais do Império Romano augustano na Consolatio ad Liviam

Autores

Palavras-chave:

Império romano, Lívia Drusilla, Memória fúnebre

Resumo

O que se segue é fruto da exploração de uma obra cujo caráter é quase inédito no Brasil e, até mesmo, no exterior. De autoria e datação exata desconhecidas, a Consolatio ad Liviam, ou, em tradução, Consolatória à Lívia, tem como uma de suas funções — entre outras, que serão discutidas doravante — consolar a imperatriz romana Lívia Drusila (59 AEC-29 EC) por ocasião da morte de seu filho, Nero Cláudio Druso (38 AEC-9 AEC). Dessa forma, aspiramos apresentar brevemente a obra e suas personagens por meio de uma “análise densa” de seu conteúdo. Além disso, teremos como tese o entendimento de que a obra apresenta um aspecto político imanente. No decorrer dessa incursão, far-se-á necessário o manejo de aspectos tangenciais, como uma discussão sobre a literariedade da obra, breves considerações sobre a espacialidade e a autoria da fonte, bem como o trato das dinâmicas do processo mortuário.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Guilherme Costa Silva, Universidade Federal de Goiás

    Graduando em História pela Universidade Federal de Goiás, com período de mobilidade acadêmica na Universidad de Playa Ancha, no Chile. Desde 2022, é bolsista de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao projeto Teoria da História: conceitos, trajetórias e tradições historiográficas, sob orientação do professor doutor Cristiano Pereira Alencar Arrais. Atua como membro do Grupo de Estudos em História e Literatura (GEHISLIT), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

  • Natállia Liberte, Universidade Federal de Goiás

    Graduanda em História (Licenciatura) pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Desenvolve pesquisa na área de História Antiga, com ênfase no Principado Romano de Calígula, intitulada Eu ainda estou vivo!: estudo sobre as mortes imperiais de Calígula nas obras A Vida dos Doze Césares, de Suetônio, e Histórias, de Dião Cássio (séculos II e III d.C.)", sob orientação da Profa. Dra. Luciane Munhoz de Omena.

  • Odilon Alves Peixoto Neto, Universidade Federal de Goiás

    Atualmente, é graduando em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com ingresso em 2022. Integra o projeto de pesquisa Famílias e compadrio nos sertões - Goiás, séculos XVIII-XIX, voltado à História de Goiás nos períodos colonial e imperial.

Referências

ARRAIS, Cristiano Pereira Alencar. A escola metódica e o conhecimento histórico como problema. Emblemas. Catalão, v. 1, p. 1-10, 2006. Disponível em: <https://periodicos.ufcat.edu.br/index.php/emblemas/article/view/11389>. Acesso em: 05 de janeiro de 2023.

BEARD, Mary. Imperador de Roma: Uma história da Roma antiga. São Paulo : Planeta do Brasil, 2024.

__________. SPQR: Uma história da Roma Antiga. Trad. Luis Reyes Gil. São Paulo: Planeta do Brasil LTDA, 2017.

DUNKER, Christian. Lutos finitos e infinitos. São Paulo: Planeta, 2023 [Edição Kindle].

FLORY, Marleen B. Livia and the history of public honorific statues for women in Rome. Transactions of the American Philological Association (1974-), v. 123, p. 287-308, 1993.

FOUCAULT, Michel. Ditos e Escritos: Estética – literatura e pintura, música e cinema (vol. III). Rio de Janeiro : Forense Universitária, 2001.

FREUD, Sigmund. “Luto e melancolia”. In: Introdução ao narcisismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 170–194.

GEERTZ, Clifford. “A religião como sistema cultural”. In: __________. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008. p. 65-93.

GENNEP, Arnold Van. Os ritos de passagem. Petrópolis, Vozes, 2012.

GINZBURG, Carlo. “Sinais: Raízes do paradigma indiciário.”. In: _________. Mitos, emblemas e sinais. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 143-180.

GOTTROP, Muriel. Árvore genealógica da dinastia Julio-Claudiana. 2003. 790X650 (15.556 bytes). Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:JulioClaudian_pt.png>. Acesso em: 05 de janeiro de 2025.

HEIDEGGER, Martin. Sein und Zeit. Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann, 1976.

HERÓDOTO. The Histories. England: Penguin Books, 2001.

HERTZ, Robert. Contribution à l‘étude sur la représentation collective de la mort. L‘Année sociologique, Paris, v. 10, p. 48–137, 1906. Disponível em: <https://www.jstor.org/stable/27882886>. Acesso em: 26 de novembro de 2024.

JIMENO, Myriam. Emoções e política: a vítima e a construção de comunidades emocionais. Mana, Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, p. 99-121, abril 2010. DOI: 10.1590/S0104-93132010000100005. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/mana/i/2010.v16n1/>. Acesso em: 12 de dezembro de 2024.

JOLY, Fábio Duarte; FAVERSANI, Fábio. As formas do Império Romano. Coleção Impérios Romanos Série Estudos, 2014.

JONES, Peter. “Introdução”. In: HOMERO. Ilíada. São Paulo: Penguin-Companhia, 2005, p. 07-41.

MARTINS, Thiago Silvério. A morte e a família imperial: breves considerações das atitudes perante a morte na consolatio ad liviam. Gaîa, [S.I], v. 12, n. 1, p. 23-36, jul. 2021. Disponível em: <https://revistas.ufrj.br/index.php/gaia/article/view/46574>. Acesso em: 04 janeiro de 2025.

__________. O discurso poético como prática política: morte e sucessão imperial nas representações do cortejo fúnebre de druso à luz da consolatória a Lívia, de autoria anônima (século I a.C.). 2022. 262 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2022. Disponível em: <https://pos.historia.ufg.br/p/51734-lista-de-teses-e-dissertacoes>. Acesso em: 07 de fevereiro de 2023.

MOTA, Thiago Eustáquio Araújo. Os funerais heróicos e a celebração dos mortos na Eneida de Virgílio: uma abordagem das práticas mortuárias na antiguidade romana. Revista M. Estudos Sobre A Morte, Os Mortos e O Morrer, [S.L.], v. 2, n. 4, p. 319-338, 25 fev. 2019. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO. http://dx.doi.org/10.9789/2525-3050.2017.v2i4.319-338. Disponível em: <https://seer.unirio.br/revistam/article/view/8164>. Acesso em: 05 de janeiro de 2025.

MUNHOZ DE OMENA, Luciane Munhoz de. Memória e morte: Uma abordagem da família romana por meio da cultura material. Revista Arqueologia Pública, Campinas, SP, v. 9, n. 2[12], p. 19–29, 2016. DOI: 10.20396/rap.v9i2.8642865. Disponível em: <https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rap/article/view/8642865>. Acesso em: 3 de janeiro de 2025.

__________. Dimensões espaciais entre morte, memória e experiências emocionais: um estudo de caso à luz do mausoléu de Otaviano. História, São Paulo, v. 39, e2020039, 2020. DOI: 10.1590/1980-4369e2020039. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/his/a/LNcjw9GcbdTRFmb8hGdvwps/abstract/?lang=pt>. Acesso em: 2 de agosto de 2024.

__________; PROCÓPIO DE CARVALHO, Dyeenmes. A paisagem mortuária romana e suas relações familiares sob a ótica de Sêneca (62 d.C.). Romanitas - Revista de Estudos Grecolatinos, [S. l.], n. 22, p. 186–207, 2023. DOI: 10.29327/2345891.11.22-11. Disponível em: <https://periodicos.ufes.br/romanitas/article/view/41997>. Acesso em: 3 de janeiro de 2025.

OVÍDIO, Públio. Metamorfoses. Porto Alegre: Concreta, 2016.

PAGOTO BÉLO, Taís; FUNARI, Pedro Paulo Abreu. As romanas e o poder nos Anais de Tácito. Classica - Revista Brasileira de Estudos Clássicos, [S. l.], v. 30, n. 2, p. 75–90, 2017. DOI: 10.24277/classica.v30i2.445. Disponível em: <https://www.revista.classica.org.br/classica/article/view/445>. Acesso em: 2 de janeiro de 2025.

__________. Lívia e a “institucionalização” da mulher romana . Heródoto: Revista do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Antiguidade Clássica e suas Conexões Afro-asiáticas, [S. l.], v. 7, n. 2, p. 79–106, 2023. DOI: 10.34024/herodoto.2022.v7.15475. Disponível em: <https://periodicos.unifesp.br/index.php/herodoto/article/view/15475>. Acesso em: 2 de janeiro de 2025.

PINTO, Júlio Pimentel. Sobre literatura e história: como a ficção constrói a realidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: EXO experimental org.; Ed. 34, 2005.

__________. La palavra muda: ensayo sobre las contradicciones de la literatura. Buenos Aires: Eterna Cadencia Editora, 2009.

__________. Os nomes da história: ensaio de poética do saber. São Paulo: Editora da UNESP, 2014.

RICŒUR, Paul. Tempo e narrativa (Tomo I). Campinas: Papirus, 1994.

ROSENWEIN, Barbara. História das emoções: problemas e métodos. São Paulo: Letra e Voz, 2011.

ROWE, Greg. Princes and political cultures: The new Tiberian senatorial decrees. Ann Arbor: University of Michigan Press, 2002.

SCHOPENHAUER, Arthur. Die Welt als Wille und Vorstellung. Mänicke: Verlag von A. Weicher, 1913.

SÊNECA. De ira. Trad.: R. A. F. de Lima. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo.

__________. Sobre a tranquilidade da alma. Trad.: Lohner, José. São Paulo: Penguin-Companhia, 2014.

SHANNON, Claude. A Mathematical Theory of Communication (Part I). The Bell System Technical Journal, [s. l.], v. 27, n. 3, p. 379–423, July 1948. DOI: 10.1002/j.1538-7305.1948.tb01338.x. Disponível em: <https://ieeexplore.ieee.org/document/6773024>. Acesso em: 09 de setembro de 2024.

SLOTERDIJK, Peter. Esferas I: bolhas. São Paulo: Estação Liberdade, 2016.

SPINOZA, Baruch. Ética. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.

WALLACE- HADRILL, Andrew. The Imperial Court. In: BOWMAN, A. K., CHAMPLIN, E. and LINTOTT, A. The Cambridge Ancient History, Vol. X, Cambridge: Cambridge University Press, 1996, pp. 283/308.

Downloads

Publicado

16-10-2026

Como Citar

COSTA SILVA, Guilherme; LIBERTE TADÃO, Natállia; ALVES PEIXOTO NETO, Odilon. Entre o pranto materno e a sucessão: indícios político-sociais do Império Romano augustano na Consolatio ad Liviam. Temporalidades, Belo Horizonte, v. 18, n. 1, p. 1–24, 2026. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/temporalidades/article/view/64305. Acesso em: 24 out. 2026.