TRABALHO REMOTO E O RETORNO À PRESENCIALIDADE

Autores

  • Geovana Müller Universidade Feevale
  • Carmem Regina Giongo Universidade Feevale https://orcid.org/0000-0001-7335-8511
  • Karine Vanessa Perez Universidade de Santa Cruz do Sul
  • Bruno Chapadeiro Ribeiro Universidade Federal Fluminense

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-037X.2026.42491

Palavras-chave:

COVID-19, Sa´úde mental, Professores, Ensino Online

Resumo

Este estudo teve como objetivo analisar as transformações provocadas pela pandemia de Covid-19 no trabalho de professoras que atuam na educação básica no Brasil, além de investigar os agravos na saúde mental das participantes e as dificuldades encontradas no retorno ao ensino presencial. Trata-se de uma pesquisa de metodologia mista com abordagem exploratória-descritiva. Na primeira fase da coleta, participaram 913 professoras mulheres, que atuavam na educação básica em diferentes estados do Brasil. Na segunda fase, participaram 8 professoras que atuavam na educação básica do Rio Grande do Sul. Os instrumentos utilizados foram um questionário, aplicado entre junho e outubro de 2021, e um grupo focal, realizado em agosto de 2022. Ambos os instrumentos foram aplicados em formato online através das plataformas Google Forms e Google Meet. Os dados foram analisados por meio de estatística simples e análise temática. Os resultados apontaram que no período da pandemia as profissionais vivenciaram uma intensificação das demandas de trabalho, além do aumento das atividades domésticas. No que se refere ao retorno ao ensino presencial, foram identificados fatores relacionados ao desânimo e frustração, em função da falta de acolhimento e das cobranças excessivas. Concluiu-se que a intensificação da precarização das condições e dos processos laborais durante a pandemia e no retorno à presencialidade geraram desgaste mental e sofrimento psíquico nas professoras.

Biografia do Autor

  • Geovana Müller, Universidade Feevale

    Graduanda em Psicologia pela Universidade Feevale

  • Carmem Regina Giongo, Universidade Feevale

    Doutora e pós-doutora em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Mestre em Psicologia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Graduação em Psicologia pela Universidade Feevale. Professora e pesquisadora no curso de Mestrado em Psicologia da Universidade Feevale.

  • Karine Vanessa Perez, Universidade de Santa Cruz do Sul

    Pós Doutoranda na Université du Québec à Montréal, Doutora em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Mestre em Psicologia Social e Institucional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Graduação em Psicologia pela Universidade do Oeste de Santa Catarina. Professora no curso de Mestrado em Psicologia na Universidade de Santa Cruz do Sul

  • Bruno Chapadeiro Ribeiro, Universidade Federal Fluminense

    Pós-doutor em Saúde Coletiva na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Graduação em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Professor na Universidade Federal Fluminense.

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Publicado

2026-05-14

Edição

Seção

ARTIGOS

Como Citar

TRABALHO REMOTO E O RETORNO À PRESENCIALIDADE. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 35, 2026. DOI: 10.35699/2238-037X.2026.42491. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/trabedu/article/view/42491. Acesso em: 23 maio. 2026.

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