Heranças da escrita desde a condição feminina: notas sobre pintura e literatura

  • Luciana Abreu Jardim Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Palavras-chave: escrita, pintura, feminino, Julia Kristeva

Resumo

Na intenção de problematizar os efeitos do primado do falo em nossa cultura escrita, propõe-se um retorno a heranças soterradas pela hegemonia falocrática. Nesse sentido, a alternativa sugerida contra o rebaixamento da escrita produzida pelas mulheres encontra no pensamento de Julia Kristeva um caminho a ser percorrido pela teoria da literatura. A proposta sustenta-se no retorno a algumas referências pictóricas ocidentais que participam de diferentes obras dessa pensadora. No cruzamento da pintura e literatura, encontra-se em Polylogue a recuperação da leitura de Giotto por Matisse e reflexões acerca da cor. Em Possessões, nota-se que o debate se mantém a partir das reflexões em torno de Artemísia Gentileschi e de Georgia O’Keeffe. No volume O ódio e o perdão, as cartas o’keeffianas aprofundam a relação entre sua pintura e possíveis transformações sintáticas. Trata-se, portanto, de localizar, ao longo da obra de Kristeva, argumentos que produzam abertura a escritas por vir.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Luciana Abreu Jardim, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Doutora em Letras pela PUCRS. Pós-doutora em Letras pela FURG (PNPD/Capes) e Pós-doutora na UFRGS.

Referências

BENKE, Britta. Visiones del desierto. In: BENKE, Britta. Georgia O’Keeffe (1887-1986): flores en el desierto. Madrid: Taschen, 2003. p. 55-72.

DERRIDA, Jacques. Com o desígnio, o desenho. In: DERRIDA, Jacques. Pensar em não ver: escritos sobre as artes do visível (1979-2004). Organização de Ginette Michaud, Joana Masó, Javier Bassas. Tradução de Marcelo Jacques de Moraes. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2012. p 161-190.

GARRARD, Mary D. Artemisia Gentileschi: The Image of the Female Hero in Italian Baroque Art. Princeton: Princeton University Press, 1989, p.290.

JARDIM, Luciana Abreu. O corpo atravessado pela técnica. In: JARDIM, Luciana Abreu. Clarice Lispector e Julia Kristeva: dois discursos sobre o corpo. Orientador: Maria Eunice Moreira. 2008. 565 f. Tese (Doutorado em Letras – Teoria da Literatura) – Faculdade de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008. p. 218-397.

KRISTEVA, Julia. As metamorfoses da “linguagem” na descoberta freudiana (Os modelos freudianos da linguagem). In: KRISTEVA, Julia. Sentido e contra-senso da revolta: poderes e limites da psicanálise I. Tradução de Ana Maria Scherer. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, p. 62-112

KRISTEVA, Julia. Décollations. In: KRISTEVA, Julia. Visions Capitales (avec Liudvig Feïerbakh). Paris: Réunion des musées nationaux, 1998. p. 81-100.

KRISTEVA, Julia. Des madones aux nus: une représentation de la beauté féminine. In: KRISTEVA, Julia. La Haine et le pardon: pouvoirs et limites de la psychanalyse. Paris: Fayard, 2005. v. III, p. 143-173.

KRISTEVA, Julia. Falar em psicanálise: os símbolos da carne e do retorno. In: KRISTEVA, Julia. Meu alfabeto: ensaios de literatura, cultura e psicanálise. Tradução de Adriana Zavaglia. São Paulo: Ed. Sesc, 2017. p. 53-66.

KRISTEVA, Julia. La Forme inévitable. In: KRISTEVA, Julia. La Haine et le pardon: pouvoirs et limits de la psychanalyse. Paris: Fayard, 2005. v. III, p. 481-500.

KRISTEVA, Julia. La Joie de Giotto. In: KRISTEVA, Julia. Polylogue. Paris: Seuil, 1977. p. 383-408.

KRISTEVA, Julia. La Révolte intime: pouvoirs et limites da psychanalyse. Paris: Fayard, 1997. v. II.

KRISTEVA, Julia. La Révolution du langage poétique: l’avant-garde à la fin du XIX siècle. Lautréamont et Mallarmé. Paris: Seuil, 1974.

KRISTEVA, Julia. Le Génie féminin: la vie, la folie, les mots. Paris: Fayard, 2002. tome III: Colette.

KRISTEVA, Julia. Le Génie féminin: la vie, la folie, les mots. Paris: Fayard, 2000. tome II: Melanie Klein

KRISTEVA, Julia. Les Métamorphoses du “language” dans la découverte freudienne (Les modèles freudiens du language). In: KRISTEVA, Julia. Sens et non-sens de la révolte: pouvoirs et limites de la psychanalyse. Paris: Fayard, 1996. v. I, p. 51-102.

KRISTEVA, Julia. Possessions. Paris: Fayard, 1996.

KRISTEVA, Julia. Possessões. Tradução de Maria Helena Franco Martins. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.

KRISTEVA, Julia. Pouvoirs de l´horreur. essais sur l’abjection. Paris: Seuil, 1980.

LISPECTOR, Clarice. Água viva. São Paulo: Círculo do livro, 1973.

MERLEAU-PONTY, Maurice. A linguagem indireta e as vozes do silêncio. In: MERLEAU-PONTY, Maurice. Textos escolhidos. Tradução e notas de Marilena de Souza Chauí, Nelson Alfredo Aguilar, Pedro de Souza Moraes. 2 ed. São Paulo: Abril Cultural, 1984. p. 141-175.

MERLEAU-PONTY, Maurice. L’Oeil et l’esprit. Paris: Éd. Gallimard, 1964.

SHEPHERDSON, Charles. Uma libra de carne: a leitura lacaniana d’O visível e o invisível. Tradução de Ronaldo Manzi Filho. Discurso. São Paulo, n. 36, p. 95-126, 2007. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2318-8863.discurso.2007.38074.

Publicado
2019-09-30
Como Citar
Jardim, L. A. (2019). Heranças da escrita desde a condição feminina: notas sobre pintura e literatura. Aletria: Revista De Estudos De Literatura, 29(3), 283-304. https://doi.org/10.17851/2317-2096.29.3.283-304
Seção
Dossiê – Teoria e Crítica Literária no Tempo Presente