Temas Sensíveis e Ensino de Ciências e Biologia

Authors

DOI:

https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2026u233257

Keywords:

temas sensíveis, temas controversos, questões socialmente vivas, histórias de vida

Abstract

Neste artigo, produzimos reflexões teóricas e metodológicas sobre a abordagem de temas sensíveis no ensino de ciências e biologia. Percorremos referências conceituais para discutir aproximações e afastamentos teóricos entre os temas sensíveis e outras nomenclaturas empregadas em pesquisas das ciências humanas e da educação em ciências como os temas controversos, as questões sociocientíficas, as questões socialmente agudas, os conteúdos cordiais, entre outras, ensaiando organizá-las e relacioná-las com seus respectivos objetos de estudo. Tomamos como base os trabalhos de Ivor Goodson e Michael Apple para compreender as tensões históricas que constroem as disciplinas escolares ciências e biologia, principalmente as relacionadas às atuais incursões de grupos sociais conservadores que tentam hegemonizar valores judaico-cristão nos currículos destas disciplinas em nome de uma objetividade baseada em consensos supostamente imparciais. Apresentamos resultados de pesquisa que sustentam nossa proposição do caráter relacional e multifacetado dos temas sensíveis, assumindo o currículo narrativo como alternativa à prescrição curricular por ancorar as emoções e sensibilidades que são demandados na abordagem destas temáticas e acolher as histórias de vida de discentes e docentes. Concluímos com a defesa do potencial da pesquisa com história de vida na compreensão deste aspecto relacional, uma vez que é uma metodologia privilegiada no sentido de tensionar memórias de trajetória de vida pessoal e experiência profissional.

Downloads

Download data is not yet available.

References

Alberti, V. (2014). O professor de história e o ensino de questões sensíveis e controversas. Palestra proferida no IV Colóquio Nacional História Cultural e Sensibilidades. Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Caicó, Rio Grande do Norte.

Andrade, J., Gil, C., & Balestra, J. (2018). Apresentação: ensino de história, direitos humanos e temas sensíveis. Revista História Hoje, 7(13), 4–13. https://doi.org/10.20949/rhhj.v7i13.458

Andrade, M. (2006). Tolerar é pouco? Por uma filosofia da educação a partir do conceito de tolerância (Tese de Doutorado, Pontifícia Universidade Católica do Rio de janeiro, Rio de Janeiro). Repositório institucional da PUC-Rio. https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/9472/9472_1.PDF

Andrade, M. (2012). Sobre os Fundamentos Ético-Filosóficos para uma Educação Intercultural. Revista Cocar, 2(3), 15–22. https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/116/

Apple, M. (2001). Reestruturação educativa e curricular e as agendas neoliberal e neoconservadora: entrevista com Michael W. Apple. Currículo sem Fronteiras, 1(1), 5–33. http://www.curriculosemfronteiras.org/vol1iss1articles/apple.htm

Apple, M. (2015). Produzindo diferença: neoliberalismo, neoconservadorismo e a política de reforma educacional. Linhas Críticas, 21(46), 606–644. https://doi.org/10.26512/lc.v21i46.4684

Apple, M. W. (2017). A luta pela democracia na educação crítica. Revista e-curriculum, 15(4), 894–926. https://doi.org/10.23925/1809-3876.2017v15i4p894-926

Bencze, L, Pouliot, C., Pedretti, E., Simonneaux, L., Simonneaux, J., & Zeidler, D. (2020). SAQ, SSI and STSE education: defending and extending “science-in-context”. Cultural Studies of Science Education, 15(3), 825–851. https://doi.org/10.1007/s11422-019-09962-7

Borba, R. C., de Andrade, M. C. P., & Selles, S. E. (2019). Ensino de ciências e biologia e o cenário de restauração conservadora no Brasil: inquietações e reflexões. Revista Interinstitucional Artes de Educar, 5(2), 144–162. https://doi.org/10.12957/riae.2019.44845

Camicia, S. P. (2008). Deciding what is a controversial issue: A case study of social studies curriculum controversy. Theory & Research in Social Education, 36(4), 268–316. https://doi.org/10.1080/00933104.2008.10473378

Cassar, C., Oosterheert, I., & Meijer, P. C. (2023). Why teachers address unplanned controversial issues in the classroom. Theory & Research in Social Education, 51(2), 233–263. https://doi.org/10.1080/00933104.2022.2163948

Duso, L. (2015). A discussão de controvérsias sociocientíficas: uma perspectiva integradora no ensino de ciências (Tese de Doutorado, Universidade Federal de Santa Cantaria, Florianópolis, Santa Catarina). Repositório Institucional da UFSC. https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/160651

Falaize, B. (2014). O ensino de temas controversos na escola francesa: os novos fundamentos da história escolar na França? Trad. Fabrício Coelho. Revista Tempo e Argumento, 6(11), 224–253. https://doi.org/10.5965/2175180306112014224

Galvão, C., Reis, P., & Freire, S. (2011). A discussão de controvérsias sociocientíficas na formação de professores. Ciência & Educação, 17(3), 505–522. https://doi.org/10.1590/S1516-73132011000300001

Gil, C., & Camargo, J. (2018). Ensino de história e temas sensíveis: abordagens teórico-metodológicas. Revista História Hoje, 7(13), 139–159. https://doi.org/10.20949/rhhj.v7i13.430

Goodson, I. F. (2013). Currículo: Teoria e história. Vozes.

Goodson, I. F. (2015). Narrativas em Educação: A vida e a voz de professores. Porto Editora.

Goodson, I. F. (2019). Currículo, narrativa pessoal e futuro social. Editora da Unicamp.

Goodson, I. F. (2020). Aprendizagem, currículo e política de vida. Vozes.

Hess, D. (2009). Controversy in the classroom: The democratic power of discussion. Routledge.

Hess, D., & McAvoy, P. (2015). The political classroom: Ethics and evidence in democratic education. Routledge.

Ho, L.C., Hess, D., McAvoy, P., & Gibbs, B. (2017). Teaching and learning about controversial issues and topics in the social studies: A review of the research. In M. M. Manfra, & C. M. Bolick (Eds.), The Wiley handbook of social studies research (pp. 319–335). Wiley. https://doi.org/10.1002/9781118768747.ch14

Legardez, A., & Simonneaux, L. (2006). L’école à l’épreuve de l’actualité. Issy-les-Moulineaux: ESF, 110.

Lacerda, M. B. (2019). O novo conservadorismo brasileiro: De Reagan a Bolsonaro. Zouk.

Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. (1996). Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica.

Levinson, R. (2006). Towards a Theoretical Framework for Teaching Controversial Socio‐scientific Issues. International Journal of Science Education, 28(10), 1201–1224. https://doi.org/10.1080/09500690600560753

Martinez, L. P. (2012). Questões sociocientíficas na prática docente: Ideologia, autonomia e formação de professores. Editora Unesp.

Mével, Y., & Tutiaux-Guillon, N. (2013). Didactique et Enseignement de l’Historie-géographieau Collège et au Lycée. Publibook.

Nóvoa, A. (1995). Vidas de professores. Porto Editora.

Oliveira, R. D., & Queiroz, G. R. (2017). Conteúdos Cordiais – Química humanizada para uma escola sem mordaças. Editora Livraria da Física.

Pereira, N. M., & Seffner, F. (2018). Ensino de História: passados vivos e educação em questões sensíveis. Revista História Hoje, 7(13), 14–33. https://doi.org/10.20949/rhhj.v7i13.427

Ratcliffe, M., & Grace, M. (2003). Science education for citizenship: Teaching socio-scientific issues. Open University Press.

Reis, P. (1999). A discussão de assuntos controversos no ensino das ciências. Inovação, 107–112.

Sadler, T. D. (2009). Situated learning in science education: socio‐scientific issues as contexts for practice. Studies in Science Education, 45(1), 1–42. https://doi.org/10.1080/03057260802681839

Saucedo, K. R., & Pietrocola, M. (2019). Características de pesquisas nacionais e internacionais sobre temas controversos na Educação Científica. Ciência & Educação (Bauru), 25, 215–233. https://doi.org/10.1590/1516-731320190010014

Selles, S. E. (2015). Quando as políticas curriculares e a pesquisa educacional mandam: reflexões sobre a colonização do trabalho docente. Boletim Gepem, (67), 100–117. https://doi.org/10.69906/GEPEM.2176-2988.2015.64

Selles, S. E., & Ferreira, M. S. (2003). Análise de livros didáticos em Ciências: entre as ciências de referência e as finalidades sociais da escolarização. Educação em Foco, 8(1), 63–78.

Simonneaux, J., & Simonneaux, L. (2011). Educational configurations for teaching environmental socioscientific issues within the perspective of sustainability. Research in Science Education, 42(1), 75–94.

Simonneaux, L. (2014). Questions socialement vives and socio-scientific issues: New trends of research to meet the training needs of postmodern society. In C. Bruguière, A. Tiberghien, & P. Clément (Eds.), Topics and trends in current science education: 9th ESERA conference Selected contributions (pp. 37–54). Dordrecht: Springer Netherlands, .

Teixeira, P. P. (2018). As relações entre diversidade e a discussão de temas controversos: desafios atuais para a escola. Revista e-Curriculum, 16(2), 494–515. https://doi.org/10.23925/1809-3876.2018v16i2p494-515

Teixeira, P. P., Oliveira, R., & Queiroz, G. (2019). Conteúdos Cordiais: Biologia humanizada para uma escola sem mordaça. Editora Livraria da Física.

Valiente, C., & Selles, S. E. (2–6 de outubro, 2023). Temas sensíveis no Ensino de Ciências e Biologia: disputas entre os movimentos sociais e a coalizão conservadora. XIV Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), Caldas Novas, Goiás.

Valiente, C. (2024). Temas sensíveis e narrativas docentes no currículo de Ciências e Biologia [Tese de Doutorado]. Universidade Federal Fluminense, Niterói.

Vilela, M., & Selles, S. E. (2020). É possível uma educação em ciências crítica em tempos de negacionismo científico? Caderno Brasileiro de Ensino de Física, 37(3), 1722–1747.

Downloads

Published

2026-03-25

Issue

Section

Artigos

How to Cite

Temas Sensíveis e Ensino de Ciências e Biologia. (2026). Brazilian Journal of Research in Science Education, e65232, 1-25. https://doi.org/10.28976/1984-2686rbpec2026u233257

Most read articles by the same author(s)