Governo da docência universitária algoritmizada
jogos de verdades na constituição do ensino orientado por dados
DOI:
https://doi.org/10.35699/2237-5864.2026.61204Palavras-chave:
ensino orientado por dados, inteligência artificial, docência universitária, governamentalidade algorítmicaResumo
A inteligência artificial (IA) generativa tem proporcionado a automatização de diversas tarefas didático-pedagógicas do/a professor/a, como o planejamento do ensino, a avaliação da aprendizagem, a recomendação de atividades de estudo e leituras etc., em especial após a escalada de uso da IA no pós-pandemia de covid-19. O objetivo deste artigo consiste em investigar como o dispositivo de hibridização algorítmico opera na produção de jogos de verdades que governam a docência em relação à IA no ensino universitário. Para isso, operou-se com as seguintes ferramentas teórico-metodológicas de Michel Foucault: poder, governo, governamentalidade, dispositivo, verdade e subjetivação. Foram realizadas entrevistas narrativas com dez professores/as de diferentes áreas do conhecimento de uma universidade pública brasileira. Argumenta-se que o dispositivo de hibridização algorítmico produz a verdade de que a IA é aliada da docência e não substitutiva, a fim de hibridizá-la e fazer funcionar o ensino orientado por dados digitais. Para isso, essa verdade funciona nos jogos da substituição, da confiança, da personalização e da melhoria do ensino. Conclui-se acerca da importância de uma educação em IA que coloque em suspenso essa aliança e crie outras verdades sobre a inteligência artificial nos processos de ensino-aprendizagem a fim de (re)existir à racionalidade neoliberal.
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