Gênero, Poder e contrato social

um sinalagma até então extorquido

Autores

  • Raquel Cristina Possolo Gonçalves Universidade Federal de Minas Gerais
  • Bárbara Batalha da Silva Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.35699/2525-8036.2019.15078

Palavras-chave:

Teorias do contrato social, Desigualdade, Gênero, Divisão sexual do trabalho

Resumo

As críticas feministas têm-se desenvolvido através de uma perspectiva em que se busca a libertação da mulher de sua subjugação histórica, advinda da desigualdade sistêmica em todos os âmbitos. Desigualdade que vai desde o trabalho doméstico não remunerado até as posições hegemônicas de poder, ocupadas por aqueles que se apoderaram dos postos decisórios. Os estudos de gênero têm avançado sobre discussões que incluem ainda outras formas de opressão, como a heteronormatividade. Em relação a tais questionamentos e à situação desigual das mulheres nas suas relações de trabalho, buscamos demonstrar que essa desigualdade se assenta na divisão sexual do trabalho. Para tanto, recorreremos às perspectivas filosóficas do contrato original para elucidar a existência de um contrato sexual – a metade oculta do contrato original que assenta a dominação e a exploração das mulheres pelos homens – e para apontar possíveis rotas de fuga dessa estrutura. Percorreremos esse caminho através de quatro pontos: I) A desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho brasileiro - alguns dados; II) A duplicidade do contrato original: liberdade e subjugação; III) Heterossexualidade como norma e a proposta contrassexual; e IV) Considerações preliminares.

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Biografia do Autor

Raquel Cristina Possolo Gonçalves, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestranda em Direito pelo PPGD/UFMG, Belo Horizonte/MG, Brasil. Bacharela em Direito (UFMG); Bacharela em Letras (UFMG). Pesquisadora do Centro de Estudos sobre Justiça de Transição (CJT/UFMG). Email: possolo.raquel@gmail.com. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5002-9915

Bárbara Batalha da Silva, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Bacharela em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Pós-Graduanda em Filosofia do Direito pela PUC Minas. Advogada da Divisão de Assistência Judiciária da Universidade Federal de Minas Gerais.

ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0546-0631

 

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Publicado

2019-08-24

Como Citar

GONÇALVES, R. C. P.; SILVA, B. B. da. Gênero, Poder e contrato social: um sinalagma até então extorquido. Revista de Ciências do Estado, Belo Horizonte, v. 4, n. 2, p. 1–17, 2019. DOI: 10.35699/2525-8036.2019.15078. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revice/article/view/e15078. Acesso em: 5 dez. 2022.

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