Interseccionalidade e Amefricanidade em Lélia Gonzalez
DOI:
https://doi.org/10.35699/2525-8036.2026.65226Palavras-chave:
Interseccionalidade, Amefricanidade, Feminismos, DescolonialismoResumo
Neste texto, apresentamos reflexões elaboradas a partir da leitura de Lélia Gonzalez e sua atualidade em torno dos debates intelectuais, sociais e políticos sobre a decolonialidade e a interseccionalidade. Seguimos um caminho exploratório de investigação bibliográfica para produzir três inferências analíticas. Em primeiro lugar, identificamos os entrelaçamentos interseccionais e decoloniais na quarta (e mais recente) onda do feminismo, considerando que a sua influência midiatizada interferiu nos seus próprios fundamentos e concepções como movimento de pretensão democrática e universal. Em seguida, discutimos a forma como a interseccionalidade entre gênero, raça e classe social é abordada na obra de Lélia González e por que isso a caracteriza como uma pensadora (feminista) brasileira pioneira na leitura interseccional da realidade. Em seguida, exploramos a sua elaboração da “amefricanidade”, categoria de grande relevância para a compreensão da realidade local e regional, que apresenta contornos claramente alinhados com as perspetivas que viriam a ser denominadas decoloniais. No final, concluímos sobre a importância do trabalho de Lélia González e o seu olhar crítico para inspirar o feminismo a ser um movimento em que ninguém fica para trás.
Downloads
Referências
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. Pólen: Produção Editorial LTDA, 2019.
BALLESTRIN, Luciana Maria de Aragão. Feminismos subalternos. Revista Estudos Feministas, v. 25, p. 1035-1054, 2017. Disponible en: https://www.scielo.br/j/ref/a/gW3NgWK4bpj9VHJCNTxx96n/?format=html. Acceso en: 23 feb. 2025.
BALLESTRIN, Luciana. Feminismo de (s) colonial como feminismo subalterno Latino-Americano. Revista Estudos Feministas, v. 28, p. 1-14, 2020. Disponible en: https://www.scielo.br/j/ref/a/WPTw4nyMwFQVLmBzhjHf8Jb/. Acceso en: 23 feb. 2025.
BARRETO, Raquel de Andrade. Enegrecendo o feminismo ou feminizando a raça: narrativas de libertação em Angela Davis e Lélia Gonzalez. 2005. 128 f. Dissertação (Mestrado em História Social da Cultura) — Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 128 f, 2005. Disponible en: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/7183/7183_1.PDF. Acceso en: 23 feb. 2025.
CARDOSO, Cláudia Pons. Amefricanizando o feminismo: o pensamento de Lélia Gonzalez. Revista Estudos Feministas, v. 22, p. 965-986, 2014. Disponible em: https://www.scielo.br/j/ref/a/TJMLC74qwb37tnWV9JknbkK/?format=html&lang=pt. Acceso en: 23 feb. 2025.
CASEMIRO, Diego Márcio Ferreira; SILVA, Nathália Lipovetsky e. Teorias interseccionais brasileiras: precoces e inominadas. Revista de Ciências do Estado, Belo Horizonte, v. 6, n. 2, p. 1–28, 2021. Disponible em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revice/article/view/e33357. Acceso em: 6 mar. 2026.
CASTRO, Mary Garcia. Quarta onda ou um Feminismo Maremoto?. Juventude.br, n. 17, p. 23-31, 2019. Disponible em: https://juventudebr.emnuvens.com.br/juventudebr/article/view/190. Acceso en: 23 feb. 2025.
CASTRO GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. Prólogo. Giro decolonial, teoría crítica y pensamiento heterárquico. In: CASTRO GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos y Pontificia Universidad Javeriana, Instituto Pensar, 2007, p. 09-23.
COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. São Paulo: Boitempo Editorial, 2021.
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural da Amefricanidade. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019, p. 341-352.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 38-51.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Pensamento feminista brasileiro: formação e contexto. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019, p. 237-256.
DE OLIVEIRA, Priscilla Pellegrino. A quarta onda do feminismo na literatura norte-americana. Palimpsesto-Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, v. 18, n. 30, p. 67-84, 2019. Disponible em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/palimpsesto/article/view/42952. Acceso en: 23 feb. 2025.
HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Agora somos todas decoloniais. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 11-34.
KYRILLOS, Gabriela M.. Uma Análise Crítica sobre os Antecedentes da Interseccionalidade. Rev. Estud. Fem., Florianópolis, v. 28, n. 1, 2020. Disponible em http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104026X2020000100204&lng=pt&nrm=iso. Accesos en: 07 mar. 2026.
LORDE, Audre. Irmã outsider: ensaios e conferências. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019.
LUGONES, María. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 52-83.
LUGONES, María. Colonialidad y género: hacia un feminismo descolonial. In: MIGNOLO, Walter (comp.). Género y descolonialidad. Buenos Aires: Del Signo, 2008, p. 13-54.
MARTINEZ, Fabiana Jordão. Militantes e radicais da quarta onda: o feminismo na era digital. Revista Estudos Feministas, v. 29, p 1-14, 2021. Disponible em: https://www.scielo.br/j/ref/a/jTjDvt7MK4h4vjnjPwchhZR/. Acceso en: 23 feb. 2025.
MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Literatura, língua e identidade, v. 34, p. 287-324, 2008. Disponible en: https://www.poscritica.uneb.br/wp-content/uploads/2021/01/1-Desobedi%C3%AAncia-epist%C3%AAmica-A-op%C3%A7%C3%A3o-descolonial-e-o-significado-de-identidade-em-pol%C3%ADtica.pdf. Acceso en: 05 jun. 2026.
MIÑOSO, Yuderkys Espinosa. De por qué es necesario un feminismo descolonial: diferenciación, dominación co-constitutiva de la modernidad occidental y el fin de la política de identidad. Solar, Lima, a. 2, v. 12, n. 1, p. 1-13, 2016.
PEREZ, Olivia Cristina; RICOLDI, Arlene Martinez. A quarta onda feminista no Brasil. Revista Estudos Feministas, v. 31, p. e83260, 2023. Disponible em: https://www.scielo.br/j/ref/a/3D7wfT8QmwRfJMv38PrG4tN/. Acceso en: 23 feb. 2025.
PEREZ, Olívia Cristina; RICOLDI, Arlene Martinez. A quarta onda feminista: interseccional, digital e coletiva. Monterrey: Congresso Latino-Americano de ciência política (ALACIP), 2019.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidad y modernidad/racionalidad. Perú indígena, v. 13, n. 29, p. 11-20, 1992. Disponible en: https://www.lavaca.org/wp-content/uploads/2016/04/quijano.pdf. Acceso en: 30 jun. 2026.
SANTOS, Vívian Matias dos. Notas desobedientes: decolonialidade e a contribuição para a crítica feminista à ciência. Psicologia & Sociedade, v. 30, p. 1-11, 2018. Disponible em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/FZ3rGJJ7FX6mVyMHkD3PsnK. Acceso en: 23 feb. 2025.
SCHILD, Verónica et al. Feminismo y neoliberalismo en América Latina. Nueva Sociedad, v. 265, n. septiembre–octubre, p. 32-49, 2016. Disponible em: https://static.nuso.org/media/articles/downloads/6.TC_Schild_EP267.pdf. Acceso en: 23 feb. 2025.
SEGATO, Rita Laura. Marco teórico de la materia: la perspectiva teórico-política de la crítica de la colonialidad. In: SEMINÁRIO VIRTUAL CLACSO (1903). Raza, género y derechos desde la perspectiva de la colonialidad. Buenos Aires: CLACSO, 2019.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Nathália Lipovetsky, Diego Casemiro

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
1. Os conteúdos dos trabalhos são de exclusiva responsabilidade de seu autor.
2. É permitida a reprodução total ou parcial dos trabalhos publicados na Revista, desde que citada a fonte.
3. Ao submeterem seus trabalhos à Revista os autores certificam que os mesmos são de autoria própria e inéditos (não publicados em qualquer meio digital ou impresso).
4. Os direitos autorais dos artigos publicados na Revista são do autor, com direitos de primeira publicação reservados para este periódico.
5. Para fins de divulgação, a Revista poderá replicar os trabalhos publicados nesta revista em outros meios de comunicação como, por exemplo, redes sociais (Facebook, Academia.Edu, etc).
6. A Revista é de acesso público, portanto, os autores que submetem trabalhos concordam que os mesmos são de uso gratuito.
7. Constatando qualquer ilegalidade, fraude, ou outra atitude que coloque em dúvida a lisura da publicação, em especial a prática de plágio, o trabalho estará automaticamente rejeitado.
8. Caso o trabalho já tenha sido publicado, será imediatamente retirado da base da revista, sendo proibida sua posterior citação vinculada a ela e, no número seguinte em que ocorreu a publicação, será comunicado o cancelamento da referida publicação. Em caso de deflagração do procedimento para a retratação do trabalho, os autores serão previamente informados, sendo-lhe garantido o direito à ampla defesa.
9. Os dados pessoais fornecidos pelos autores serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por essa publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.
