Interseccionalidade e Amefricanidade em Lélia Gonzalez

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2525-8036.2026.65226

Palavras-chave:

Interseccionalidade, Amefricanidade, Feminismos, Descolonialismo

Resumo

Neste texto, apresentamos reflexões elaboradas a partir da leitura de Lélia Gonzalez e sua atualidade em torno dos debates intelectuais, sociais e políticos sobre a decolonialidade e a interseccionalidade. Seguimos um caminho exploratório de investigação bibliográfica para produzir três inferências analíticas. Em primeiro lugar, identificamos os entrelaçamentos interseccionais e decoloniais na quarta (e mais recente) onda do feminismo, considerando que a sua influência midiatizada interferiu nos seus próprios fundamentos e concepções como movimento de pretensão democrática e universal. Em seguida, discutimos a forma como a interseccionalidade entre gênero, raça e classe social é abordada na obra de Lélia González e por que isso a caracteriza como uma pensadora (feminista) brasileira pioneira na leitura interseccional da realidade. Em seguida, exploramos a sua elaboração da “amefricanidade”, categoria de grande relevância para a compreensão da realidade local e regional, que apresenta contornos claramente alinhados com as perspetivas que viriam a ser denominadas decoloniais. No final, concluímos sobre a importância do trabalho de Lélia González e o seu olhar crítico para inspirar o feminismo a ser um movimento em que ninguém fica para trás.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Nathália Lipovetsky, Universidade Federal de Minas Gerais

    Professora Adjunta da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre e Doutora em Direito. Integrante do corpo permanente do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGD/UFMG). Coordenadora Adjunta do Programa Universitário de Apoio às Relações de Trabalho e à Administração da Justiça (PRUNART/UFMG). Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Gênero, Trabalho e Desigualdade (GTD/UFMG). Integrante da Rede Internacional de Cátedras, Instituições e Personalidades Sobre Estudos da Dívida Pública (RICDP). E-mail: nathalialipovetsky@gmail.com.

  • Diego Casemiro, Universidade Federal de Minas Gerais

    Mestrando em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Especialista em Direito Público e em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Bacharel em Direito e em Interdisciplinar em Humanidades pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Pesquisador extensionista do Programa de Apoio às Relações de Trabalho e à Administração da Justiça (Prunart/UFMG). Integra o Grupo de Estudos e Pesquisas Gênero, Trabalho e Desigualdades (GTD/Prunart/UFMG). Desenvolve pesquisas nas áreas de Direitos Sociais, Direito do Trabalho e Políticas Públicas. Contato: diegofcasemiro@gmail.com.

     

Referências

AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. Pólen: Produção Editorial LTDA, 2019.

BALLESTRIN, Luciana Maria de Aragão. Feminismos subalternos. Revista Estudos Feministas, v. 25, p. 1035-1054, 2017. Disponible en: https://www.scielo.br/j/ref/a/gW3NgWK4bpj9VHJCNTxx96n/?format=html. Acceso en: 23 feb. 2025.

BALLESTRIN, Luciana. Feminismo de (s) colonial como feminismo subalterno Latino-Americano. Revista Estudos Feministas, v. 28, p. 1-14, 2020. Disponible en: https://www.scielo.br/j/ref/a/WPTw4nyMwFQVLmBzhjHf8Jb/. Acceso en: 23 feb. 2025.

BARRETO, Raquel de Andrade. Enegrecendo o feminismo ou feminizando a raça: narrativas de libertação em Angela Davis e Lélia Gonzalez. 2005. 128 f. Dissertação (Mestrado em História Social da Cultura) — Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 128 f, 2005. Disponible en: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/7183/7183_1.PDF. Acceso en: 23 feb. 2025.

CARDOSO, Cláudia Pons. Amefricanizando o feminismo: o pensamento de Lélia Gonzalez. Revista Estudos Feministas, v. 22, p. 965-986, 2014. Disponible em: https://www.scielo.br/j/ref/a/TJMLC74qwb37tnWV9JknbkK/?format=html&lang=pt. Acceso en: 23 feb. 2025.

CASEMIRO, Diego Márcio Ferreira; SILVA, Nathália Lipovetsky e. Teorias interseccionais brasileiras: precoces e inominadas. Revista de Ciências do Estado, Belo Horizonte, v. 6, n. 2, p. 1–28, 2021. Disponible em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revice/article/view/e33357. Acceso em: 6 mar. 2026.

CASTRO, Mary Garcia. Quarta onda ou um Feminismo Maremoto?. Juventude.br, n. 17, p. 23-31, 2019. Disponible em: https://juventudebr.emnuvens.com.br/juventudebr/article/view/190. Acceso en: 23 feb. 2025.

CASTRO GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. Prólogo. Giro decolonial, teoría crítica y pensamiento heterárquico. In: CASTRO GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos y Pontificia Universidad Javeriana, Instituto Pensar, 2007, p. 09-23.

COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. São Paulo: Boitempo Editorial, 2021.

GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural da Amefricanidade. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019, p. 341-352.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 38-51.

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Pensamento feminista brasileiro: formação e contexto. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019, p. 237-256.

DE OLIVEIRA, Priscilla Pellegrino. A quarta onda do feminismo na literatura norte-americana. Palimpsesto-Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERJ, v. 18, n. 30, p. 67-84, 2019. Disponible em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/palimpsesto/article/view/42952. Acceso en: 23 feb. 2025.

HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Agora somos todas decoloniais. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 11-34.

KYRILLOS, Gabriela M.. Uma Análise Crítica sobre os Antecedentes da Interseccionalidade. Rev. Estud. Fem., Florianópolis, v. 28, n. 1, 2020. Disponible em http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104026X2020000100204&lng=pt&nrm=iso. Accesos en: 07 mar. 2026.

LORDE, Audre. Irmã outsider: ensaios e conferências. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019.

LUGONES, María. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 52-83.

LUGONES, María. Colonialidad y género: hacia un feminismo descolonial. In: MIGNOLO, Walter (comp.). Género y descolonialidad. Buenos Aires: Del Signo, 2008, p. 13-54.

MARTINEZ, Fabiana Jordão. Militantes e radicais da quarta onda: o feminismo na era digital. Revista Estudos Feministas, v. 29, p 1-14, 2021. Disponible em: https://www.scielo.br/j/ref/a/jTjDvt7MK4h4vjnjPwchhZR/. Acceso en: 23 feb. 2025.

MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Literatura, língua e identidade, v. 34, p. 287-324, 2008. Disponible en: https://www.poscritica.uneb.br/wp-content/uploads/2021/01/1-Desobedi%C3%AAncia-epist%C3%AAmica-A-op%C3%A7%C3%A3o-descolonial-e-o-significado-de-identidade-em-pol%C3%ADtica.pdf. Acceso en: 05 jun. 2026.

MIÑOSO, Yuderkys Espinosa. De por qué es necesario un feminismo descolonial: diferenciación, dominación co-constitutiva de la modernidad occidental y el fin de la política de identidad. Solar, Lima, a. 2, v. 12, n. 1, p. 1-13, 2016.

PEREZ, Olivia Cristina; RICOLDI, Arlene Martinez. A quarta onda feminista no Brasil. Revista Estudos Feministas, v. 31, p. e83260, 2023. Disponible em: https://www.scielo.br/j/ref/a/3D7wfT8QmwRfJMv38PrG4tN/. Acceso en: 23 feb. 2025.

PEREZ, Olívia Cristina; RICOLDI, Arlene Martinez. A quarta onda feminista: interseccional, digital e coletiva. Monterrey: Congresso Latino-Americano de ciência política (ALACIP), 2019.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad y modernidad/racionalidad. Perú indígena, v. 13, n. 29, p. 11-20, 1992. Disponible en: https://www.lavaca.org/wp-content/uploads/2016/04/quijano.pdf. Acceso en: 30 jun. 2026.

SANTOS, Vívian Matias dos. Notas desobedientes: decolonialidade e a contribuição para a crítica feminista à ciência. Psicologia & Sociedade, v. 30, p. 1-11, 2018. Disponible em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/FZ3rGJJ7FX6mVyMHkD3PsnK. Acceso en: 23 feb. 2025.

SCHILD, Verónica et al. Feminismo y neoliberalismo en América Latina. Nueva Sociedad, v. 265, n. septiembre–octubre, p. 32-49, 2016. Disponible em: https://static.nuso.org/media/articles/downloads/6.TC_Schild_EP267.pdf. Acceso en: 23 feb. 2025.

SEGATO, Rita Laura. Marco teórico de la materia: la perspectiva teórico-política de la crítica de la colonialidad. In: SEMINÁRIO VIRTUAL CLACSO (1903). Raza, género y derechos desde la perspectiva de la colonialidad. Buenos Aires: CLACSO, 2019.

Publicado

30-06-2026

Como Citar

LIPOVETSKY E SILVA, Nathália; MÁRCIO FERREIRA CASEMIRO, Diego. Interseccionalidade e Amefricanidade em Lélia Gonzalez. Revista de Ciências do Estado, Belo Horizonte, v. 11, n. 1, p. 1–18, 2026. DOI: 10.35699/2525-8036.2026.65226. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revice/article/view/e65226. Acesso em: 23 jul. 2026.