A greve como práxis constituinte
a colonialidade do poder e a captura do conflito pelo Estado na América Latina
DOI:
https://doi.org/10.35699/2525-8036.2026.65434Parole chiave:
América Latina, Colonialidade do poder, Estado, Greve, PráxisAbstract
O presente artigo analisa o fenômeno da greve na América Latina sob a ótica das teorias decoloniais e da Ciência do Estado. Argumenta-se que o Estado periférico, longe de atuar como mediador neutro, opera como uma matriz produtora de exclusões fundamentada na colonialidade do poder. Através de uma revisão bibliográfica que articula conceitos como pensamento abissal e ideologia da competência, investiga-se como o aparelho judiciário despolitiza o conflito trabalhista, transformando a insurgência em mero objeto de gestão burocrática e técnica. A metodologia pauta-se na análise qualitativa de obras fundamentais de Aníbal Quijano, Boaventura de Sousa Santos e Alysson Mascaro. Os resultados indicam que a greve transborda a dimensão estritamente contratual, revelando-se como uma práxis constituinte capaz de tensionar a forma política do capital e reivindicar novos espaços de soberania. Conclui-se que a construção de uma Ciência do Estado enraizada no Sul Global exige o reconhecimento da potência política das margens e a superação das linhas abissais que invisibilizam o saber dos trabalhadores. O estudo reafirma a necessidade de uma justiça que proteja o dissenso e a autonomia sindical como pressupostos para a democratização real das sociedades latino-americanas, propondo a estética da resistência como matriz de uma nova institucionalidade descolonizada e plural.
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