Modos de fazer (arte)

o projetista, o montador, o propositor

Autores

  • Artur Correia de Freitas Universidade Estadual do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-2046.2024.48106

Palavras-chave:

Autoria, Arte Contemporânea, Conceitualismo, Autoria Conceitual, Alografia

Resumo

Desde o conceitualismo dos anos 1960 e 1970, assistimos a sucessivas transformações acerca do que seja um autor no campo da arte contemporânea. No centro desse processo reside a chamada “autoria conceitual”, que se caracteriza pela coexistência dos seguintes aspectos: uma obra de imanência projetiva ou propositiva; um sistema de notação expresso ou latente; e a existência de ocorrências materiais que se executam em conformidade com o enunciado notacional. Recorrendo a artistas como Antonio Lizárraga, Doris Salcedo, Maurizio Cattelan, Flávia Naves, Alison Knowles e Tania Bruguera, este artigo pretende pôr à prova a hipótese de que, em termos conceituais, existem ao menos três tipos ou figuras autorais na arte contemporânea: o projetista, o montador e o propositor.

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Publicado

2024-04-01 — Atualizado em 2024-05-13

Versões

Como Citar

FREITAS, A. C. de. Modos de fazer (arte): o projetista, o montador, o propositor. PÓS: Revista do Programa de Pós-graduação em Artes da EBA/UFMG, Belo Horizonte, v. 14, n. 30, p. 207–232, 2024. DOI: 10.35699/2238-2046.2024.48106. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistapos/article/view/48106. Acesso em: 19 jun. 2024.

Edição

Seção

Artigos - Seção aberta