Paisagem, observador de segunda ordem e Stimmung
rastros de Caspar David Friedrich no cinema de Werner Herzog
DOI:
https://doi.org/10.35699/2238-2046.2026.58469Palavras-chave:
Caspar David Friedrich, Werner Herzog, Stimmung, paisagem, observador de segunda ordemResumo
Caspar David Friedrich: The Soul of Nature (2025), a mais recente exposição do artista alemão no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, reitera sua relevância e convida a uma reflexão sobre sua repercussão contemporânea. Este artigo investiga a presença do imaginário romântico de Friedrich no cinema de Werner Herzog, propondo como hipótese que o cineasta reelabora o sublime friedrichiano não apenas como referência iconográfica, mas sobretudo como experiência estética e sensorial articulada pelo conceito de Stimmung. A análise procura demonstrar como a atmosfera melancólica, a relação entre figuras humanas diminutas e paisagens grandiosas, bem como a figura do observador de segunda ordem – ou a dorsalidade das personagens diante da vastidão natural –, centrais na pintura de Friedrich, reaparecem em filmes como Aguirre, a cólera dos deuses (1972),
O enigma de Kaspar Hauser (1974), Coração de vidro (1976), Nosferatu: o vampiro da noite (1979) e Fitzcarraldo (1982). Nessas obras, a natureza é configurada como sublime e indiferente à condição humana. Diferentemente de estudos que abordam o romantismo no cinema de forma mais geral, este trabalho enfatiza a especificidade da interlocução entre Friedrich e Herzog, oferecendo uma contribuição à reflexão sobre paisagem, atmosfera e subjetividade na pintura e no cinema.
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