Política, Natureza e História vistas pelos Humanistas e Reformadores Protestantes: entre assimilações e disjunções
Palavras-chave:
Humanismo, Renascimento, Reforma ProtestanteResumo
O presente artigo tem por finalidade traçar os contornos de dois movimentos ímpares, Reforma Protestante e Renascimento, mas umbilicalmente ligados que, apesar de se sustentarem em premissas distintas que suscitaram objetivos díspares, coincidem em suas implicações na construção da Modernidade e nas tentativas de superação dos paradigmas ditos medievais. Há semelhantes impactos na política e na filosofia natural ao separarem Natureza e Graça, Lei Natural e Lei Eterna, mas suas concepções antropológicas, com a valorização da Virtude ou o reconhecimento da necessidade da Graça, divergem diametralmente. Tais concepções produziram leituras diversas e opostas a respeito da natureza e finalidade do Mundo político e o papel e possibilidade da agência transformadora do Homem na História, manifesta no reconhecimento da Soberania Divina ou no confronto com a Fortuna. Contudo, figuras como Calvino operaram sínteses que reforçam a porosidade das fronteiras entre Renascimento e Reforma Protestante e, consequentemente, a riqueza das análises comparativas.
Downloads
Referências
ADVERSE, Helton. A matriz italiana. In: BIGNOTTO, Newton (Org.). Matrizes do republicanismo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.
AGNOLIN, Adone. História das religiões: perspectiva histórico-comparativa. São Paulo: Paulinas, 2013
AGOSTINHO DE HIPONA. De Magistro, Cap. XI, 38. In: Os Pensadores, SANTO AGOSTINHO. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
ARENDT, Hannah. A Condição Humana. São Paulo: Editora Forense Universitária, 2008
ARENDT, Hannah. A vida do espírito, vol. 2, cap. 2. Rio de Janeiro: Relume, 1991.
ARENDT, Hannah. O Conceito de amor em Santo Agostinho. Lisboa: Instituto Piaget, 1997.
BARON, Hans. The Crisis of the Early Italian Renaissance. 2. Ed. Princeton: Princeton University Press, 1966.
BARROS, Alberto Gonçalves Ribeiro de. Matriz Inglesa. In: BIGNOTTO, Newton (org.). Matrizes do Republicanismo. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013
BARROS, Alberto Ribeiro Gonçalves de. O direito de resistência na França renascentista. Kriterion, v. 47, n. ja/ju 2006, p. 99-114, 2006Tradução. . Disponível em: https://doi.org/10.1590/s0100-512x2006000100005. Acesso em: 30 jul. 2025.
BIÉLER, André. O pensamento econômico e social de Calvino. Tradução por Valdyr Carvalho Luz. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.
BRACHTENDORF, Johannes. Confissões de Agostinho. Tradução por Milton Camargo Mota. 3. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2020.
BURCKHARDT, Jacob. A cultura do Renascimento na Itália: um ensaio. Tradução por Sergio Tellaroli. São Paulo: Companhia de Bolso (Companhia das Letras), 2009.
CALVINO, João. A instituição da religião cristã. Tradução de Carlos Eduardo Oliveira; José Carlos Estevão. São Paulo: Editora Unesp, 2008.
CALVINO, João. Lutero e Calvino, Sobre a Autoridade Secular. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
FLORENZANO, M. Notas sobre tradição e ruptura no renascimento e na primeira modernidade. Revista de História, [S. l.], n. 135, p. 18-29, 1996. DOI: 10.11606/issn.2316-9141.v0i135p18-29. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/18793. Acesso em: 5 jul. 2025.
FLORENZANO, Modesto. Três viradas históricas: 1517, 1789, 1917. Revista História da USP (Blog). Disponível em: https://revhistoria.usp.br/blog/?p=106. Acesso em: 22/07/2025.
GARIN, Eugenio. Ciência e Vida Civil no Renascimento Italiano. São Paulo: Editora Unesp, 1996.
HALL, David W. Calvino e a praça pública. Tradução por Cláudia Vassão Ruggiero. São Paulo: Cultura Cristã, 2017
HELLER, Ágnes. O cotidiano e a história. Trad. Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder. São Paulo: Paz e Terra, 2004.
HOBBES, Thomas. Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de uma República Eclesiástica e Civil. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
HÖPFL, Harro. The christian polity of John Calvin.Cambridge: Cambridge University Press, 2008
KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006.
KUYPER, Abraham. Calvinismo. Tradução por Ricardo Gouvêa e Paulo Arantes. São Paulo: Cultura Cristã, 2014.
LEITE, Leonardo Delatorre. Direito de Resistência na tradição republicana. Curitiba: Editora CRV, 2022.
LUTERO, Martinho. Da Liberdade do cristão: prefácios à Bíblia. Tradução por Erlon José Paschoal; revisão do alemão por Carlos Eduardo Jordão Machado. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2015.
LUTHER, Martin . Luther’s Works - Letters II. v. 49. Philadelphia: Fortess Press, 1972
MORAES, Gerson Leite de. Entre a bíblia e a espada: uma análise da filosofia e teologia política em João Calvino.1. ed. São Paulo: Editora Mackenzie, 2014.
NUNES, Silvio Gabriel Serrano. JOHN LOCKE E AS TEORIAS DO DIREITO DE RESISTÊNCIA DE MATRIZ LUTERANA. Cadernos Espinosanos, São Paulo, Brasil, n. 38, p. 189–205, 2018. DOI: 10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2018.145925. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/espinosanos/article/view/145925/141532. Acesso em: 17 jul. 2025.
NUNES, Silvio Gabriel Serrano. Théodore de Bèze, O Liberum Veto e os "Artigos do Rei Henrique" da Polônia: As Origens do Esplendor Constitucional no Século XVI e da Decadência Política da Sereníssima Res Publica Poloniae Diagnosticada por Rousseau no século XVIII. Cadernos de Ética e Filosofia Política, São Paulo, Brasil, v. 1, n. 36, p. 125–137, 2020. DOI: 10.11606/issn.1517-0128.v1i36p125-137. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/cefp/article/view/171625/161578 . Acesso em: 17 jul. 2025.
NUNES, Silvio Gabriel Serrano. As origens do constitucionalismo calvinista e o direito de resistência: a legalidade bíblica do profeta em John Knox e o contratualismo secular do jurista em Théodore de Bèze. 2017. Tese (Doutorado em Filosofia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. doi:10.11606/T.8.2017.tde-12062017-105723. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-12062017-105723/publico/2017_SilvioGabrielSerranoNunes_VCorr.pdf . Acesso em: 2025-08-19.
NUNES, Silvio Gabriel Serrano. Constitucionalismo e resistência em Théodore de Béze: secularização e universalidade do direito de resistir na obra de Du Droit des Magistrats sur leurs sujets de 1574. 2010. Dissertação (Mestrado em Filosofia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. doi:10.11606/D.8.2011.tde-23052011-145729. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-23052011-145729/publico/2010_SilvioGabrielSerranoNunes.pdf . Acesso em: 2025-08-19.
NUNES, Silvio Gabriel Serrano; BUENO, Taynam Santos Luz. A influência das sententiae de Sêneca na filosofia jurídico-política de João Calvino. VEREDAS - Revista Interdisciplinar de Humanidades, [S. l.], v. 6, n. 12, p. 128-143, 2023. DOI: 10.56242/revistaveredas;2023;6;12;128-143. Disponível em: //periodicos.unisa.br/index.php/veredas/article/view/531 . Acesso em: 17 jan. 2025.
PAGDEN, Anthony. La Ilustracíon y por qué sigue siendo tan importante para nosotros. Madrid: Alianza Editorial, 2015
PANOFSKY, Erwin. Renascimento e Renascimentos na Arte Ocidental. Lisboa: Editorial Presença, 1981.
POCOCK, J. G. A. O momento maquiaveliano: o pensamento político florentino e a tradição republicana atlântica. Niterói: Eduff, 2021
POCOCK, J. G. A. Linguagens do ideário político. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013
PRODI, Paolo. Uma História da Justiça. São Paulo: Martins Fontes, 2005
ROMANO, Roberto. Introdução. In: LUTERO, Martinho. Da Liberdade do cristão: prefácios à Bíblia. Tradução por Erlon José Paschoal; revisão do alemão por Carlos Eduardo Jordão Machado. 2. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2015.
SENELLART, Michel. As artes de governar. São Paulo: Ed. 34, 2006.
SERRANO NUNES, Silvio Gabriel. Histoire profane et théorie politique dans le constitutionnalisme de Théodore de Bèze. Revue des sciences philosophiques et théologiques, 2018/2 (Tome 102), p. 221-233. DOI: 10.3917/rspt.1022.0221. URL: https://www.cairn.info/revue-des-sciences-philosophiques-et-theologiques-2018-2-page-221.htm . Acesso em: 17 jul. 2025.
SILVA FILHO, Luiz Marcos da. Como ler Santo Agostinho: terapia da alma e felicidade. São Paulo: Paulus, 2021.
SILVA FILHO, Luiz Marcos da. Filosofia Política em Agostinho: estudos sobre A cidade de Deus. 1. ed. São Paulo: Almedina/Edições 70, 2022.
SKINNER, Quentin. As fundações do pensamento político moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
SMALLMAN, Stephen E. O que é uma igreja reformada? In: LUCAS, Sean Michael (Org.). Série fé reformada (Volume I). Tradução por Rubens Thomaz de Aquino; Cláudia Vassão; Lúcia Zanetti; Vanessa Zuliani e Neuza Batista. São Paulo: Cultura Cristã, 2015.
TOCQUEVILLE, Alexis de. O Antigo Regime e a Revolução. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2016.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Davi Schelotag de Moraes

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
O(A) autor(a), para fins de submissão à revista Temporalidades, deve declarar que o trabalho aqui submetido é de autoria do mesmo e nunca foi publicado em qualquer meio, seja ele impresso ou digital.
O(A) autor(a) também declara estar ciente das seguintes questões:
Os direitos autorais para artigos publicados na Temporalidades são do autor, com direitos de primeira publicação para o periódico;
Em virtude de aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito;
A revista permitirá o uso dos trabalhos publicados para fins não-comerciais, incluindo direito de enviar o trabalho para bases de dados de acesso público.
A Temporalidades adota a licença internacional Creative Commons 4.0 (CC BY).







