Irmandades leigas e boa morte nos testamentos de mulheres forras em Sabará na segunda metade do século XVIII
Palavras-chave:
práticas fúnebres, devoções, mulheres forrasResumo
O artigo analisa as práticas de preparação para a boa morte a partir da escrita testamentária de mulheres forras moradoras da Vila Real de Sabará, na segunda metade do século XVIII. A pesquisa fundamenta-se na análise qualitativa dos testamentos de Genobeba Lourença, Luiza de Souza e Maria Gomes, buscando compreender de que maneira essas mulheres mobilizaram devoções, esmolas, alforrias, disposições e vínculos com irmandades leigas como estratégias espirituais e sociais voltadas à salvação da alma. A investigação dialoga com as dinâmicas de mestiçagem biológica e cultural próprias do contexto, considerando os testamentos como espaços de negociação. Inseridos no contexto da Ars Moriendi e da doutrina do Purgatório, os testamentos são interpretados como instrumentos religiosos e simbólicos por meio dos quais as testadoras afirmaram sua fé, construíram redes de sociabilidade e exerceram formas de agência feminina, destacando o papel das irmandades leigas na mediação dos rituais fúnebres, dos sufrágios e da assistência espiritual, contribuindo para a compreensão da atuação de mulheres forras no universo urbano e religioso das Minas setecentistas.
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