Um olho na égua, outro na onça: a desnaturalização da realidade em Histórias de Alexandre (1938-1944), de Graciliano Ramos
Palavras-chave:
Literatura, História, Graciliano RamosResumo
Este artigo analisa Histórias de Alexandre, de Graciliano Ramos, como experiência literária de desnaturalização da realidade social. A hipótese é que Alexandre não deve ser lido apenas como mentiroso, nem a obra como peça menor, folclórica ou infantojuvenil, mas como narrativa que transforma oralidade, hipérbole, humor, fantástico e metáfora em procedimentos críticos de representação. Em diálogo com Ciro Flamarion Cardoso, Jurandir Malerba, Umberto Eco, Hayden White e Durval Muniz de Albuquerque Júnior, examinam-se a recepção problemática da obra, a cena oral formada por Alexandre, Cesária e os ouvintes, a metáfora do olho torto e a oposição entre campo e cidade em “Uma canoa furada”. Argumenta-se que o livro produz um sentimento de realidade justamente porque desloca, exagera e metaforiza o real, tornando visíveis suas condições históricas de credibilidade.
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