A biopolítica hoje: tecnologia, imagem e produção de subjetividade

Autores

  • Marcus Guilherme Pinto de Faria Valadares Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.17851/1983-3652.7.1.116-128

Palavras-chave:

Biopolítica. Subjetividade. Visibilidade.

Resumo

As estratégias do poder metamorfosearam-se intensamente ao longo dos últimos séculos, da soberania às disciplinas, até a expansão da biopolítica. Em todos os casos, o poder organizar-se-ia em torno de uma economia do corpo, que partiria do direito de gerar a morte, central na monarquia absoluta, em direção a estratagemas cada vez mais sutis e sofisticados que aperfeiçoariam o poder de gerir a vida. Aos poucos, o poder torna-se menos fundamentado em práticas violentas, coercitivas e repressivas para se difundir por meio de práticas produtivas, que se apoiam na autonomia do indivíduo. Em outras palavras, o poder passa a se desenvolver e agir em torno da produção de subjetividade e a imagem exercerá um papel crucial nessa produção. O objetivo do presente artigo é apresentar esse percurso do poder, que vai do suplício à norma e da norma à autonomia, para refletir sobre as estratégias do poder – biopolíticas – no âmbito das imagens e dos vídeos produzidos na mídia, especialmente, na Internet.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marcus Guilherme Pinto de Faria Valadares, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutorando do Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos da UFMG.

Referências

BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as conseqüências humanas. Trad. Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo. A transformação das pessoas em mercadorias. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

BRASIL, André; MIGLIORIN, Cezar. Última foto: possibilidade da imagem. Revista Cinética, Rio de Janeiro/São Paulo, 01 set. 2007. BRASIL, André. Modulação/Montagem: ensaio sobre biopolítica e experiência estética. 99f. Tese (Doutorado do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Escola de Comunicação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ, 2008.

BRASIL, André. Formas de vida na imagem: da indeterminação à inconstância. Trabalho apresentado ao XIX Encontro da Compós, PUC-RJ, Rio de Janeiro, RJ, junho de 2010. Disponível em: http://www.compos.org.br/data/biblioteca_1511.doc. Acesso em: 06 jan. 2012.

BRUNO, Fernanda. Máquinas de ver, modos de ser: visibilidade e subjetividade nas novas tecnologias de informação e de comunicação. Revista FAMECOS, Porto Alegre, v. 24, p. 110-124, 2004.

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

CIRINO DOS SANTOS, Juarez. Trinta anos de Vigiar e Punir – Foucault. Revista Brasileira de Ciências Criminais, v. 1, p. 289-298, 2006.

DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: Conversações: 1972-1990. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992, p. 219-226.

DUARTE, André de Macedo. De Michel Foucault a Giorgio Agamben: a trajetória do conceito de biopolítica. In: SOUZA, Ricardo Timm de; OLIVEIRA, Nythamar Fernandes de (Org.). Fenomenologia Hoje III – Bioética, biotecnologia, biopolítica. Porto Alegre: Editora da PUCRS, 2008, v. 3.

FERRAZ, Maria Cristina Franco. Do espelho machadiano ao ciberespelho: interioridade na atual cultura somática. Revista FAMECOS, v. 1, p. 85-90, 2009.

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade, vol. 1 A vontade de saber. 19ª ed, Rio de Janeiro: Editora Graal, 1988.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: história da violência nas prisões. Tradução de Raquel Ramalhete. 36ª ed. Petrópolis: Vozes, 2009.

HARDT, Michael; NEGRI, Toni. La producción biopolítica. In: Multitudes 1, 2000. Disponível em: http://multitudes.samizdat.net/La-produccion-biopolitica. Acesso em: 06 Jan 2012.

LAZZARATO, Maurizio. Creer des mondes: Capitalismo contemporain et guerres esthétiques. Multitudes: Art Contemporain: La recherche du dehors, Paris, v. 15, 2004.

LEMOS, André. A Arte da Vida. Diários Pessoais e Webcams na Internet. Cultura da Rede. Revista Comunicação e Linguagem, Lisboa, 2002. Disponível em: http://www.andrelemos.info/artigos/arte%20da%20vida.htm. Acesso em: 06 Jan 2012.

PELBART, Peter Pál. Poder sobre a vida, potências da vida. In: PELBART, P. Vida Capital: ensaios de biopolítica. São Paulo: Ed. Iluminuras, 2003.

RODRIGUES, Rodrigo. A escuta e o virtual: sensação, pensamento e a criatividade musical na Internet. 161f. Tese (Doutorado do Programa de Comunicação e Semiótica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, SP, 2007.

SIBILIA, Paula. O show do eu: A intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. v. 1. 284 p.

SIBILIA, Paula. A digitalização do rosto: Do transplante ao PhotoShop. Cinética, v. 1, p. 1, 2008a.

THOMPSON, John B. A nova visibilidade. MATRIZes. São Paulo, n. 2, p. 15-38, 2008. Disponível em: http://www.matrizes.usp.br/index.php/matrizes/article/view/82. Acesso em: 06 Jan 2012. VAZ, Paulo. O Corpo-Propriedade. In: Fausto Neto, A.; Pinto, M. J. (Org.). Mídia e Cultura. Rio de Janeiro: Diadorim – COMPÓS, 1997.

Downloads

Publicado

2014-01-22

Como Citar

VALADARES, M. G. P. de F. A biopolítica hoje: tecnologia, imagem e produção de subjetividade. Texto Livre, Belo Horizonte-MG, v. 7, n. 1, p. 116–128, 2014. DOI: 10.17851/1983-3652.7.1.116-128. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/textolivre/article/view/16661. Acesso em: 25 set. 2022.

Edição

Seção

Comunicação e Tecnologia