Narradores tradicionais do Vale do Jequitinhonha – (MG)
guardiões da memória e da ancestralidade: interfaces da literatura oral, variação linguística e tecnologias digitais
DOI:
https://doi.org/10.1590/1983-3652.2026.64114Palavras-chave:
Literatura oral, Narradores tradicionais, Variação linguísticaResumo
presente artigo defende a perspectiva de que um corpus de duzentos e cinquenta e cinco narrativas orais, que podem ser ouvidas e lidas no recurso educacional digital “Narrativas em Rede”, criado por este autor, pode ser tipificado como literatura oral, a partir das ideias de Cascudo (1984), e os contadores-narradores, concebidos como narradores tradicionais, em consonância com as ideias de Benjamin (1985), no ensaio “O narrador: considerações sobre a obra de Nikolai Leskov”. Defende-se a ideia de que os contadores-narradores identificados no Vale do Jequitinhonha entre 1987 e 1997, ao performarem as narrativas orais analisadas, fazem uso de uma oralidade mista ou primária, tal qual concebida por Zumthor (1993), e, ao mesmo tempo, prospectam o saber e a experiência de narradores tradicionais, figura central do ensaio de Benjamin (1985). Acredita-se que a criação do recurso digital (site) “Narrativas em Rede” dá voz à oralidade e, ao mesmo tempo, projeta esse corpus de literatura oral do Jequitinhonha para dimensões espaciais além do território em que foi gerado. Atualmente, hospedada na Rede Mundial de Computadores, tal literatura torna-se universal, podendo ser acessada de qualquer parte do Brasil e do mundo, por meio de tecnologias digitais como smartphones, tablets, entre outros, consolidando-se como uma ponte entre passado e futuro, unindo tradição e inovação, modos de narrar e modos de socializar das novas gerações.
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