v. 2 n. 2 (2008): Torah: arquivos multidisciplinares da escritura

Detalhe de "Escrita", de Vlad Eugen Poenaru

Apresentação

Lyslei Nascimento (Universidade Federal de Minas Gerais)

Consciente e inspirado por um profundo sentimento de herança nacional, Israel têm se empenhado em preservar e reintroduzir, no seu território, a vida vegetal e animal existente em tempos bíblicos. Muitas espécies desapareceram da região ou estão em vias de extinção. Neot Kedumim, uma reserva paisagística situada no centro do país, dedica-se a colecionar e conservar variedades vegetais mencionadas na Torah e ainda existentes. Essa reserva criou jardins com flora nativa de várias áreas geográficas de Israel, tendo como objetivo a recomposição dessa flora dos tempos antigos. Os projetos Hai Bar de fauna selvagem, em Aravá e no Monte Carmel, foram criados para reinserir, em seu habitat natural, espécies animais que, antigamente, proliferavam nas colinas e nos desertos israelis. Biólogos israelenses especializados em vida animal selvagem correm o mundo em busca desses animais que, uma vez localizados, são levados às reservas, onde aprendem a se adaptar ao ambiente e, em seguida, são postos em liberdade. Antes, porém, de irem a campo, em busca dessas espécies, os cientistas israelenses se debruçam sobre a Torah. A possibilidade de recompor esse "território" por meio das Escrituras transforma o Livro em um arquivo, não só da religião, da cultura, da ética e da filosofia judaicas, como também de sua ecologia, de seu eco-sistema. Desse modo, o Livro, que garante a "terra da promissão", também garante sua perenidade existencial. Nosso objetivo, neste segundo número da Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, é refletir sobre o estatuto de "arquivo" da Torah, observando suas peculiaridades, suas possibilidades de inscrição na contemporaneidade, sua importância e tradução para nosso dias.

DEDICATÓRIA

Este segundo número da Arquivo Maaravi é dedicado ao Professor Jacó Guinsburg. Nascido na Bessarábia, em 1921, Jaco Guinsburg imigrou para o Brasil por volta de 1924. É tradutor de Diderot, Lessing, Nietzsche e outros tantos escritores. Como ensaísta, publicou Stanislávski e o teatro de arte de Moscou; Leoni de’Sommi: um judeu no teatro da renascença italiana; Diálogos sobre teatro; Aventuras de uma língua errante: ensaios de literatura e teatro ídiche, de 1996, (o mais importante estudo crítico sobre a língua e a literatura ídiche publicado na América Latina); Stanislávski, Meierhold e Cia.; Da Cena em cena, entre outros títulos. Professor de Estética Teatral e Teoria do Teatro da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde é Professor Emérito, desde 2001. Seu trabalho de ficção mais recente, O que aconteceu, aconteceu, publicado em 2000, tematiza, entre outros elementos, a vida judaica dos imigrantes judeus no Brasil. Fundador e editor da Editora Perspectiva, Jacó Guinsburg destaca-se no cenário brasileiro como um dos seus mais brilhantes intelectuais.

Publicado: 2008-03-30

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