Licenciatura em tempos de inteligência artificial
desafios formativos e percepções discentes
DOI:
https://doi.org/10.35699/2237-5864.2025.58845Palavras-chave:
inteligência artificial generativa, formação docente, ensino superior, licenciatura, tecnologias educacionaisResumo
O artigo analisa as percepções de estudantes de licenciatura sobre o uso da inteligência artificial generativa no ensino superior, a partir de uma oficina formativa desenvolvida com estudantes de Educação Física, Letras/Português, Letras/Inglês e Pedagogia, em fase final da graduação, em uma universidade comunitária localizada em área urbana densamente povoada na região Sul do Brasil. A investigação baseia-se em uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório, com coleta de dados realizada no segundo semestre de 2024, por meio de questionário aplicado ao final da atividade. O referencial teórico considera debates contemporâneos sobre ética, autoria, criatividade e formação docente em tempos de inteligência artificial. Os resultados indicam que os estudantes já utilizam ferramentas como o ChatGPT em suas práticas acadêmicas, principalmente para planejar aulas, criar atividades e organizar ideias. Apesar do uso recorrente, a maioria relata ausência de discussões estruturadas sobre o tema na formação inicial. Entre os principais benefícios percebidos, destacam-se o dinamismo, a acessibilidade e o estímulo à criatividade. Por outro lado, os participantes expressam receios quanto ao comodismo intelectual, à padronização de produções e à fragilização da autoria. A oficina foi avaliada como uma experiência formativa relevante ao articular prática e reflexão crítica sobre o uso pedagógico da IA. Conclui-se que é urgente incorporar o debate sobre inteligência artificial nos currículos de licenciatura, de forma transversal, crítica e situada, reconhecendo desafios e possibilidades que a tecnologia impõe à formação docente contemporânea.
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