A cidade como Morada-Expandida

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2238-2046.2023.45464

Palavras-chave:

Morada, Cidade, Deriva, Ressignificação

Resumo

Este artigo busca demonstrar como a cidade pode ser apreendida simbolicamente enquanto Morada-Expandida, a partir da experiência de Deriva e de seus desdobramentos de criação poética. Para isto, são apresentados argumentos históricos, filosóficos e psicológicos que tratam da cidade como símbolo de abrigo, valendo-se do pensamento poético de Gaston Bachelard sobre a Morada e a análise psicológica de James Hillman sobre a cidade. A Deriva situacionista é apropriada como técnica de criação poética, capaz de romper com um ideal capitalista e fazer emergir no sujeito outras subjetividades relativas ao território. Se o lar é a casa dotada de três elementos – a memória, o afeto e a identidade –, a cidade, ao adquirir simbolicamente estes elementos, pode ser percebida como uma Morada.

Biografia do Autor

Mariana Fonseca Laterza, UFMG

Doutoranda em Artes na linha de pesquisa Artes Visuais pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (PPG-Artes/EBA/UFMG) e mestre em Artes pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).

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Publicado

2023-08-01

Como Citar

LATERZA, M. F. A cidade como Morada-Expandida. PÓS: Revista do Programa de Pós-graduação em Artes da EBA/UFMG, Belo Horizonte, v. 13, n. 28, p. 160–187, 2023. DOI: 10.35699/2238-2046.2023.45464. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistapos/article/view/45464. Acesso em: 23 abr. 2024.