Reformas militares, mobilidade social e permanências no Antigo Regime lusitano: uma análise a partir dos oficias das tropas de pretos e pardos na América portuguesa (Rio de Janeiro, 1762-1820)
Palavras-chave:
Antigo Regime, Reforma militar, mobilidade socialResumo
Este artigo analisa as dinâmicas de recrutamento, hierarquia e mobilidade social nas tropas de homens pretos e pardos na capitania do Rio de Janeiro entre 1762 e 1820, no contexto das reformas militares do Antigo Regime lusitano. A partir de um conjunto documental composto por requerimentos, cartas patentes e registros matrimoniais, examinamos como oficiais de milícias de cor articularam estratégias de inserção e reconhecimento social, enfrentando as barreiras impostas pela lógica hierárquica da sociedade escravista. O estudo evidencia as disputas em torno das patentes militares, onde a cor, a legitimidade da filiação e a ascendência familiar desempenharam papel central na definição de prestígio e autoridade. Ao reconstruir trajetórias como a de Francisco Duarte Belas, destacamos os mecanismos de ascensão possíveis dentro da estrutura militar e as resistências das elites locais frente ao crescimento social de libertos e seus descendentes. A análise, ancorada em uma perspectiva de história social e micro-história, ilumina a relação entre hierarquias militares, classificações de cor e estratégias de poder na América portuguesa.
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