Descolonização das escritas das histórias: é possível e é necessária
Palavras-chave:
Decolonialidade, Teoria da História, Epistemologia das macumbasResumo
O objetivo do presente artigo é evocar diferentes críticas às normas moderno-ocidentais de produção de saber a fim de fomentar os debates relativos a caminhos para a descolonização das escritas das histórias. A partir de discussões pós estruturalistas, pós-coloniais e decoloniais, este trabalho advogará a imprescindibilidade de se escapar à normatização da produção e legitimação dos saberes da episteme ocidental tradicional, cuja constituição deveu muito às violências materiais, simbólicas e epistêmicas do colonialismo e imperialismo contra múltiplas sociedades não-ocidentais, caso se deseje, efetivamente, conceber novas linguagens de libertação epistemologicamente engajadas. Calcando-se no debate sobre transdisciplinaridade decolonial e decadência disciplinar, a epistemologia das macumbas será evocada enquanto uma proposta epistemológica que confronta radicalmente o modelo ocidental de ser, viver, pensar e conhecer a partir de experiências e saberes afrocentrados e afrodiaspóricos, fornecendo reflexões-chave para pensar possíveis elaborações de discursos historiográficos que escapem à geopolítica eurocêntrica do saber.
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