Função, aparência e civilidade: a identidade das criadas na Belle Époque entre o sujeito e a cultura objetivada
Palabras clave:
Civilidade; Aparência; Função.Resumen
Este artigo investiga a constituição da identidade das criadas domésticas na Belle Époque brasileira, articulando os conceitos de cultura objetiva, civilidade, aparência, função e subjetividade. A análise baseia-se nas teorias de Georg Simmel e Norbert Elias para demonstrar como o corpo da criada foi moldado por normas estéticas e morais da ordem burguesa. A aparência funcionava como linguagem simbólica de distinção social, tornando-se um instrumento de contenção da subjetividade e de reprodução da hierarquia. A função da criada extrapolava o trabalho: envolvia comportar-se com asseio, modéstia e silêncio. Tais exigências não visavam à expressão individual, mas à adequação à lógica da civilidade. A tragédia da cultura, nesse contexto, manifesta-se na transformação da mulher em signo funcional, apagando sua agência. Ainda assim, o artigo sugere que, mesmo sob vigilância, existiam brechas de resistência.
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