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Volumen 4, Núm. 61º Semestre de 2017

Publicado junio 3, 2019

Outra Margem: Ano 4 — n. 6 - 1o semestre de 2017

Descripción del número

A edição do primeiro semestre de 2017 da revista Outra Margem está disponível para visualização e download em PDF.

Número completo

Artigos

  1. A PRAGMÁTICA DO DISCURSO DE FOUCAULT

    Objetiva-se esclarecer o horizonte no qual surge a análise pragmática do
    discurso de Foucault inserindo-a no percurso da reflexão filosófica acerca da linguagem,
    assim como seu significado e potencial político. Para isso nos serviremos principalmente
    das obras A ordem do discurso e Arqueologia do saber. O artigo compõe-se de duas
    partes: na primeira, inscreveremos Foucault no registro de duas grandes rupturas na
    investigação acerca da linguagem: a ruptura platônica com o pensamento pré-socrático e
    a ruptura operada por Saussure em relação à tradição; em seguida, esclareceremos o
    significado da análise do discurso de Foucault e como ela serve a um projeto político
    emancipador. Buscamos com isso reeditar o convite que esse filósofo fascinante ainda
    hoje nos endereça, a saber, o de adentrarmos na ordem arriscada do discurso que, embora
    tenha sido durante tanto tempo considerada pela tradição como o inimigo a ser abatido,
    não apenas obedece a leis e regularidades que ainda estão para serem descobertas como
    nos abre um mundo novo de possibilidades.

  2. A QUESTÃO DO DUALISMO E DA LINGUAGEM EM BERGSON

    O objetivo central neste artigo é trazer à tona o debate sobre a questão da
    linguagem na filosofia de Henri Bergson. Para tanto, traçaremos nosso percurso a partir do
    notório estabelecimento da diferença de natureza entre espaço e tempo e o consequente
    reconhecimento das duas esferas da subjetividade. Ao apresentar a problemática do
    dualismo na subjetividade e a cisão entre nossa consciência e o objeto, Bergson tem como
    querela a dificuldade da linguagem abstrata e espacial em apreender a realidade da duração
    do nosso eu mais profundo.

  3. UNÇÃO PERSONALIDADE EM DEVIR: UM OLHAR DA TEORIA DO SELF

    A partir da Teoria do Self, em articulação com as contribuições da psicanálise
    e do escrutínio anticapitalista de Deleuze e Guattari, lança-se um olhar ontológicogestáltico sobre o sujeito que, outrora tido como estruturado, teve o primado de sua
    racionalidade destronado pelas revoluções de pensamento do século XX. Numa dinâmica
    análoga à noção Deleuziana de ritornelo, o Self estabelece laços com o Outro no processo
    de contato; como efeito tardio, estas experiências são registradas linguística e
    conceitualmente compondo totalidades de sentido às quais o Self possa se identificar. O
    que se produz é algo que se pode nomear como Personalidade, que opera como função de
    devir e não como estrutura fixa, exceto nos casos em que arbitrariamente se cristaliza com
    fins de evitação do contato

  4. DO AMOR PLATÔNICO AO CRUSH: A FILOSOFIA ENTRE ADOLESCENTES

    O artigo demonstra a relação de equivalência possível entre o amor platônico
    e o significado da gíria crush usualmente muito utilizada entre os adolescentes. Não
    obstante, a equivalência demonstrou-se falsa, pois que o objeto do amor platônico,
    consoante ao entendimento apresentado ao Banquete, de Platão, difere do objeto de desejo
    expresso no signo crush. No entanto, apesar de diferir quanto ao fim, o crush é passível
    de ser compreendido como etapa inicial, no processo ascendente em relação ao amor
    verdadeiro. Pondera-se sobre o crush em sua correlação ao contexto sociocultural
    contemporâneo, neste fim, utiliza-se de autores como Pierre Lévy, Ernest Cassirer,
    Zygmunt Bauman e Alasdair MacIntyre, justapondo-se,sempre que possível e necessário,
    a aspectos determinantes da filosofia platônica em correspondência ao tema proposto.
    Além de contar com uma breve introdução e considerações finais, optou-se por uma seção
    única, em contribuição ao estudo qualitativo do tema. Ademais, o estudo reafirma a
    utilidade da filosofia como constituída de saber fortemente contributivo ao pensar
    rigoroso, crítico e plural sobre as diferentes expressões que caracterizam o modo de ser
    contemporâneo, particularmente, em relação ao modo de ser do jovem adolescente imerso
    em um mundo cada vez mais multicultural, global e inter-relacionado em rede.

  5. O POSSÍVEL METAFÓRICO SEGUNDO TOMÁS DE AQUINO

     O presente artigo tem o objetivo de discutir o conceito de possível metafórico
    e suas ocorrências na filosofia de Tomás de Aquino. Primeiro, apresenta os aspectos
    gerais do que é “ser possível”, considerando a obra tomasiana como um todo. Segundo,
    situa o possível metafórico, analisando as informações dadas pelo filósofo para definir o
    conceito. Ao longo do artigo até a conclusão, apresentam-se questões a serem
    desenvolvidas, ulteriormente, por pesquisadores da área, como parte da presente
    discussão

  6. DOIS SENTIDOS DE PARTICIPAÇÃO EM PLATÃO

    Este artigo visa observar a ocorrência dos termos que dizem participação nos
    passos 130b e 130e do Parmênides de Platão com a finalidade de distinguir duas
    concepções pouco explanadas nos estudos da ontologia platônica: um sentido de
    participação mutável, no qual um ente pode tornar a participar de uma Forma e possuir
    um predicado e outro sentido de participação eterno no qual um participante possui
    eternamente um predicado (e.g.: o três é sempre ímpar), respectivamente associados aos
    termos μεταλαμβάνοντα e μετέχοντα. Esta distinção se torna mais clara em 155e e pode
    ser encontrada em outros momentos dos diálogos platônicos, como por exemplo, no
    Fédon.

  7. ZARATUSTRA METACÍNICO

    O objetivo deste artigo é cotejar a interpretação foucaultiana sobre o cinismo
    com a crítica nietzschiana à cultura e seu projeto de transvaloração dos valores. A partir
    de uma anedota sobre Diógenes, o cínico, Foucault desenvolve suas hipóteses sobre a
    verdadeira vida cínica, tendo como ponto de partida o imperativo de transfigurar o valor
    da moeda. Nessa tarefa, é crucial a relação que o autor estabelece entre moeda, valores e
    normas, posto que o cinismo efetivamente assume determinada posição contra as
    convenções, diametralmente avessa aos hábitos e aos costumes sociais. Haveria no
    cinismo um impulso destruidor de convencionalismos e das rotas culturais dominantes
    estabelecidas para e pela coletividade. Assim, a vida cínica exprimiria um modo de viver,
    transfigurando os valores e estilos de vida convencionais. Portanto, creio que haja uma
    fértil proximidade entre essas concepções e o posicionamento filosófico de Nietzsche,
    com sua crítica à cultura e a afirmação de uma transvaloração dos valores.

  8. LEIBNIZ E A CRÍTICA AO ESPAÇO TOTA SIMUL NEWTONIANO: A MÔNADA COMO CAUSA IMEDIATA DO MOVIMENTO

    Neste artigo pretendemos recompor a argumentação que sustenta a crítica de
    Leibniz a noção de espaço tota simul newtoniano, com vistas a mostrar que, segundo o
    pressuposto leibniziano, a verdadeira causa imediata do movimento deve residir na noção
    verdadeira de substância ou Mônada e não, como defendia Newton, na noção de um
    espaço totalmente semelhante e indiscernível. Segundo o filósofo alemão, a noção de um
    espaço que possui realidade per se implicaria na impossibilidade da correta caracterização
    do movimento dos corpos, posto que esta noção violaria os princípios da razão suficiente
    e da identidade dos indiscerníveis. Neste sentido, o fundamento do movimento não estaria
    na existência de um espaço absoluto, mas no registro intrínseco da mudança e do
    movimento pela apercepção individualizada da Mônada

  9. DO NIILISMO À EXPERIÊNCIA TOTALITÁRIA

     O presente artigo pretende mostrar de que maneira o filósofo político teuto
    americano Leo Strauss tenta por meio de uma reflexão acerca do fenômeno histórico da
    tirania, desenvolver uma compreensão maior do advento dos totalitarismos do século XX,
    o que o filósofo veio a chamar de “tirania de nossos tempos”. Deste modo, o esforço
    empreendido aqui por Strauss é o de traçar uma espécie de leitura sobre, ou uma
    investigação de quais seriam, por assim dizer, as raízes intelectuais dos regimes
    totalitários e, sobretudo, do nazismo

  10. PRÁTICAS DE CUIDADO DE SI NA ANTIGUIDADE

    O presente trabalho faz análise histórico-filosófica do tema do cuidado de si
    a partir de suas práticas nas figuras mais representativas do mundo grego, desde o período
    pré-filosófico até Platão, demonstrando como as práticas do cuidado representam um
    modo de viver ordenado e, ainda mais, caracterizam o pensar e o agir de uma época ilustre
    da História e da Filosofia grega. Por fim, o trabalho apresente o cume filosófico do tema
    do cuidado na antiguidade na personificação de Sócrates, conforme retratado pelos
    diálogos platônicos.

  11. A SUBJETIVIDADE E A BUSCA PELA FELICIDADE NO PENSAMENTO DE BLAISE PASCAL

     Considerando as ideias de tédio, divertissement, esquecimento de si e amorpróprio, este texto pretende mostrar em que medida a busca do eu pela felicidade aponta
    para um problema de fundo, qual seja o do eu diante de seu criador. Argumenta-se aqui
    que a condição humana, tal como Pascal a entende, é crucial para se pensar a questão da
    subjetividade humana. Nesse sentido, o objetivo do texto é destacar as tensões entre o
    tédio e a subjetividade.

  12. DE DESCARTES A FREGE: OS AVANÇOS EPISTEMOLÓGICOS DO MÉTODO

    O presente artigo pretende expor superficialmente alguns avanços
    epistemológicos acerca do uso do método para alcançar a verdade científica,
    considerando-se perspectivas pontuais de Descartes, Bacon e Hobbes ao longo da
    modernidade. Tanto o método proposto por Renè Descartes (1596-1650) quanto o por
    Francis Bacon (1561-1625) visavam primordialmente orientar qual seria o uso adequado
    da razão e dos sentidos nos processos epistemológicos. A partir do bom uso da razão, no
    caso cartesiano, e de ambos no caso baconiano, obtermos fundamentos sólidos para
    investigação de verdades, especialmente as que condizem com a ciência. Com Francis
    Bacon e Thomas Hobbes (1558-1679) verificaremos avanços quanto ao uso
    epistemológico do método, todavia, ainda insuficientes para lidar com o que intitularemos
    por “problema do espaço epistêmico”. Contudo, tentaremos sustentar que as maiores
    inovações acerca do uso epistemológico do método foram feitas de fato por Gottlob Frege
    (1848-1925), em sua Conceitografia. A partir disto, demonstraremos como podemos
    considerar a conceitografia fregeana como uma espécie de “continuidade” do método
    cartesiano.

  13. SOBRE O TEMPO: UMA QUESTÃO FUNDAMENTAL

    O texto aborda alguns desdobramentos acerca da questão fundamental “que
    é o tempo?”. Serão contempladas:1) a interpretação de Jeanne Marie Gagnebin acerca do
    Livro XI das Confissões, de Agostinho, apresentada na obra Sete aulas sobre linguagem,
    memória e história; 2) três palestras de Jorge Luís Borges a respeito do tema, chamadas
    “O livro” , “O tempo”e “A imortalidade”, inseridas em Cinco visões pessoais; 3) as ideias
    apresentadas no ensaio de Giorgio Agamben, intitulado “O que é o contemporâneo?”; 4)
    uma conferência de Martin Heidegger, chamada “O Conceito de tempo”.

  14. A MODERNIDADE ‘NA’ FILOSOFIA DE DESCARTES: A CRÍTICA DAS FORMAS SUBSTANCIAIS

    O objetivo desse artigo é mostrar como Descartes elaborou sua filosofia
    mecanicista. Assim, o primeiro passo para atingir esse objetivo levou Descartes a
    criticar e abandonar a noção de ‘forma substancial’, a qual era amplamente empregada
    pelos escolásticos para explicar todos os acontecimentos relativos aos seres naturais de
    uma maneira qualitativa. Tendo descartado as formas substanciais, o próximo passo era
    estabelecer um novo objeto de estudo para a filosofia natural, o qual ele encontrou na
    matéria corpórea (res extensa) e suas propriedades geométricas. Dessas modificações
    introduzidas por Descartes vai emergir também um novo método de investigar os
    fenômenos naturais baseado na medição e precisão matemáticas, mais comprometido
    com a ‘epistemologia platônica’ do que com a ‘epistemologia aristotélica’. Nós
    concluiremos afirmando que Descartes estava em acordo com muitos de seus
    contemporâneos, notavelmente Bacon e Galileu, pensadores que estavam engajados em
    combater a filosofia formalista de Aristóteles. Junto com eles, Descartes deu sua
    contribuição para a renovação da filosofia ocidental.