Crítica ultramontana ao antijesuitismo maçom, no contexto da Questão Religiosa (1872-1875
Palabras clave:
ultramontanismo; maçonaria; Questão ReligiosaResumen
O artigo analisa a atuação do bispo Dom Vital no contexto da Questão Religiosa (1872-1875), com ênfase em sua cruzada ultramontana contra a maçonaria no Brasil. A partir de sua Carta Pastoral de 1873 e da Instrução Pastoral de 1875, busca compreender como Dom Vital mobilizou uma linguagem marcada por metáforas religiosas e condenações doutrinais para combater a presença da maçonaria entre os fiéis católicos e defender a autoridade eclesiástica diante das prerrogativas do Estado regalista. Considerando o discurso como espaço de conflito ideológico, investiga os efeitos de sentido produzidos por Dom Vital ao representar a maçonaria como inimiga da fé e da ordem social. Ao mesmo tempo que evidenciam a instrumentalização de documentos pontifícios, da tradição católica e de polêmicas envolvendo a maçonaria no contexto europeu, os documentos analisados lançam luz sobre as tensões entre Igreja e Estado no Brasil, bem como sobre questões locais, como fora o caso da Revolta do Quebra-Quilos. O justifica exercitar a perspectiva metodológica dos jogos de escala, por meio da qual a Questão Religiosa é reinscrita nas dinâmicas globais do catolicismo oitocentista
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